Artigos Técnicos

Sistema de produção sustentável (SPS) de Pitaya no sul catarinense

Um dos grandes fatores do sucesso de seu cultivo foi o fácil manuseio, a rusticidade da planta, o considerável valor comercial e, principalmente, a organização dos produtores e das cooperativas


Nativa de florestas tropicais e subtropicais da América Central, a pitaya pertencente à família das cactáceas vem ganhando espaço no território brasileiro. Em Santa Catarina, estima-se área de 200 ha com o cultivo da fruta com cerca de 150 famílias na atividade. Na safra 2019-20 foram comercializadas em torno de 1.000 toneladas da fruta, com crescimento de 60% em relação à safra passada na região do sul catarinense.

 O cultivo comercial da pitaya em Santa Catarina teve início em 2010 com a família Feltrin, de Turvo/SC. O principal objetivo foi substituir áreas de cultivo de tabaco e diversificar as atividades da pequena propriedade rural, agregando renda e qualidade de vida ao agricultor.

Um dos grandes fatores do sucesso de seu cultivo foi o fácil manuseio, a rusticidade da planta, o considerável valor comercial e, principalmente, a organização dos produtores e das cooperativas. Somado a isso, a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), por meio de seus extensionistas e pesquisadores, tem promovido entre os agricultores a adoção e a difusão de técnicas agroecológicas para o cultivo da fruta, principalmente focadas no manejo conservacionista do solo, da água e do ambiente.

Por meio de visitas técnicas, capacitações contínuas, uso de tecnologias digitais e utilizando o modelo sustentável de produção baseado no SPDH (Sistema de Plantio Direto de Hortaliças), os produtores têm conseguido excelentes resultados na cultura, principalmente nas vertentes ecológica e ambiental. Estima-se que mais de 90% dos pomares do sul catarinense utilizem práticas agroecológicas como cobertura de solo permanente, adubação verde de inverno, adubação orgânica e uso de quebra ventos. A utilização de leguminosas como o amendoim forrageiro (Arachis pintoi) tem gerado uma grande economia no uso de fertilizantes nitrogenados, visto que a espécie tem a habilidade de fixar nitrogênio atmosférico. As plantas de cobertura também têm promovido diversos benefícios ao solo como ciclagem de nutrientes, controle de erosão, manutenção de umidade e principalmente conforto térmico ao pomar.

Há também na região algumas iniciativas de integração de pitaya e pecuária, com o uso de bovinos de leite nos pomares, auxiliando na adubação orgânica e reduzindo despesas com roçadas das plantas de cobertura. Aliado a isso, o cultivo sustentável tem permitido viabilizar a produção agroecológica e orgânica de pitaya de forma crescente na região. Inclusive, no ano de 2020, a Epagri publicou o primeiro Boletim Técnico, nº 196, contendo diversas informações técnicas sobre o cultivo da fruta, incluindo tabela de adubação, inédita no meio científico do país. 

Dentre as diversas práticas agroecológicas citadas, o sistema de produção sustentável (SPS) da pitaya tem apresentado dados interessantes em relação à produção de biomassa vegetal proveniente das plantas de cobertura perenes e anuais. Estima-se que cada hectare de pitaya conduzido em sistema sustentável gera produção de matéria seca maior que 50 toneladas/ano. Essa biomassa vegetal, além de proteger o solo e promover conforto à planta, propicia alimento para a microbiota do solo, refletindo no aumento do teor de matéria orgânica e na construção da fertilidade do solo. A melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo tem permitido ao agricultor reduzir significativamente os custos de produção, viabilizando ainda mais o sistema de produção da fruta e aumentando a resiliência do agroecossistema.

A adoção do sistema de produção sustentável (SPS) da pitaya tem permitido ao agricultor e à cadeia produtiva produzir frutas de qualidade, reduzir custos de produção, incrementar a biodiversidade dos agroecossistemas, bem como aumentar a produtividade dos pomares.

*Ricardo Sant'Anna Martins - Engenheiro-agrônomo, Mestre em Agroecossistemas/UFSC, Extensionista Rural da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - Epagri, Município de Maracajá, Av. Getúlio Vargas, 530, Centro, 88015-700, Maracajá, SC. E-mail: [email protected]

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