Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, a mudança atende a uma necessidade prática do setor. Ele explica que, em fevereiro, os produtores estão no início da colheita e concentrados nos pomares, o que limita a presença dos titulares das marcas de azeite. "Buscamos, junto com o governo do Estado, uma mudança da data para que haja uma participação mais efetiva dos produtores. Em fevereiro eles estão mergulhados dentro dos seus pomares, iniciando a colheita, que neste ano deve se estender até o final de abril ou começo de maio", afirma.
A edição de 2026 ocorre em um cenário de expectativa positiva para o setor, com projeção de safra recorde no Estado. Conforme os organizadores, a realização ao final da colheita também permitirá a apresentação e a comercialização de azeites novos produzidos no início da safra, ampliando o potencial econômico do evento. * Nestor Tipa Júnior/AgroEffective.
A olivicultura brasileira iniciou sua produção comercial há cerca de 20 anos e teve, desde o início, o desafio de produzir azeite extra virgem de qualidade fora das condições tradicionais do Mediterrâneo. "Produzir azeites extra virgens de qualidade no hemisfério sul, em condições climáticas muito diferentes das do Mediterrâneo, sempre foi o nosso grande desafio. Esse desafio foi superado", afirma o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho.
Segundo o dirigente, os azeites brasileiros alcançaram reconhecimento consistente no cenário internacional. "Eu não conheço um concurso internacional em que um azeite brasileiro participe e não saia com uma medalha. Se considerarmos a média dos azeites produzidos em cada país, o azeite brasileiro é o melhor do mundo em termos de qualidade", comenta.
Após a safra recorde de 2023, quando o país atingiu 640 mil litros, a produção recuou nos dois anos seguintes em função de adversidades climáticas. Em 2024, o volume caiu para 340 mil litros e, em 2025, para 240 mil litros, impactado principalmente pelo excesso de chuvas e pela alta umidade, fatores considerados críticos para o desenvolvimento da oliveira.
De acordo com o presidente do Ibraoliva, o período recente levou o setor a uma revisão interna das estratégias produtivas. "Em 2023, a nossa preocupação era com o mercado. Já em 2025, o foco passou a ser entender onde acertamos e onde erramos, com investimento forte em pesquisa", explica.
Para 2026, conforme o presidente do instituto, o cenário é mais favorável. "Estamos sendo agraciados por condições climáticas positivas e vamos ter a maior safra da história da olivicultura brasileira, superando os 640 mil litros de 2023. Quem sabe possamos atingir o sonho de produzir 1 milhão de litros de azeite de oliva extra virgem no Brasil", projeta Obino Filho.
Atualmente, a olivicultura brasileira reúne cerca de 550 produtores distribuídos em aproximadamente 200 municípios dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. O Rio Grande do Sul concentra o maior número de produtores e responde pela maior parcela da produção nacional. "O caminho é seguir investindo em pesquisa, entendendo onde estamos acertando e onde ainda precisamos corrigir. Queremos nos colocar entre os principais produtores de azeite de oliva do mundo e temos qualidade para alcançar esse objetivo", conclui. *Nestor Tipa Júnior/AgroEffective