Noz-pecã mira safra de até 8 mil toneladas após abertura da colheita da safra

Leia também: Ibraoliva leva ao Ministério da Agricultura demandas para proteger produção nacional

09/05/2026 19:36
Noz-pecã mira safra de até 8 mil toneladas após abertura da colheita da safra

Evento em Nova Pádua (RS) abriu oficialmente a colheita da cultura com ato simbólico e palestras sobre produção e mercado - A 8ª Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã aconteceu nesta sexta-feira (8), em Nova Pádua. A programação ocorreu no Salão Comunitário da Capela Sagrado Coração de Jesus, na comunidade de Travessão Bonito, e na propriedade de Arlindo Marostica, em Nova Pádua (RS).

Na ocasião, também foi lançado o livro da Embrapa, Nogueira-pecã, obra com 82 autores, que pode ser acessada gratuitamente pela internet - (https://www.ibpecan.org/post/lan%C3%A7amento-de-livro-sobre-o-cultivo-da-noz-pec%C3%A3-%C3%A9-um-marco-para-o-setor) e terá lançamento da versão impressa durante o Encontro Nacional de Pecanicultura (Enapecan), em 12 e 13 de novembro, em Bento Gonçalves (RS). Na sequência, o tema da irrigação nos pomares de nogueira-pecã e seus reflexos na produtividade e na lucratividade foi debatido por painelistas.

O professor Ezequiel Saretta, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), falou sobre irrigação em nogueira-pecã, voltada à estabilização da produção, e enfatizou que irrigação é investimento. Na sequência, fez um comparativo relacionando a irrigação à produtividade.

O anfitrião e produtor Arlindo Marostica falou sobre a produção do seu pomar e os resultados relevantes em produtividade obtidos a partir da irrigação. Já o diretor técnico do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), engenheiro agrônomo Jaceguay Bastos, destacou o embasamento técnico-científico e o conhecimento de campo, citando a Embrapa como exemplo de suporte aos produtores.

Bastos falou sobre os princípios da irrigação, que variam conforme a região, o que exige um bom projeto, específico de acordo com as características do solo de cada propriedade. Também abordou aspectos sobre o ponto de colheita da noz-pecã nos ciclos precoce, médio e tardio, além da qualidade da fruta.

O ex-presidente do IBPecan, Eduardo Basso, falou sobre custos, produtividade e preços da noz-pecã. Demonstrou, em números, que o ganho de produtividade, impulsionado pela irrigação adequada, por exemplo, reflete diretamente no lucro da atividade. 

O presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, agradeceu a presença de todos no evento em Nova Pádua. "Ver muitas pessoas querendo conhecer mais o nosso IBPecan mostra o amadurecimento da cultura cada vez mais dentro do nosso estado", ressaltou.

Wallauer destacou que o instituto há oito anos ajuda, informa e incentiva a cultura em todo o país, principalmente no Rio Grande do Sul. "E faço um apelo a quem ainda não é sócio: que se associe, faça parte do IBPecan, que só é grande com vocês juntos fazendo parte, trazendo as suas demandas, os seus anseios, a sua cultura e um pouquinho do que vocês desejam junto com a produção da noz-pecã", concluiu.

O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, destacou que é um orgulho ver uma cultura se desenvolver e o Rio Grande do Sul, mais uma vez, na vanguarda de um processo produtivo, com 90% da produção nacional. "É uma cultura que vem crescendo em produção e que não tenho dúvida de que vamos nos consolidar como um grande produtor no cenário mundial. E para isso é importante nos posicionarmos de forma efetiva perante o mercado. Precisamos colocar a pauta da noz-pecã nos acordos internacionais, porque o Estado tem potencial, e a Secretaria da Agricultura é parceira para essas discussões", destacou o secretário.

Madalena também falou sobre a relevância da irrigação na cultura da noz-pecã e enfatizou a política pública do governo do Estado, por meio do Programa Irriga+RS, que apoia o produtor rural com subvenção direta para a implantação de sistemas de irrigação. Ele lembrou que os produtores Arlindo e Vânia Marostica, proprietários da sede que recebeu o ato de colheita, foram beneficiários do programa. "A pecanicultura no Rio Grande do Sul está crescendo de forma organizada, com tecnologia e qualidade", afirmou.

Após as palestras e os discursos de autoridades, os participantes se deslocaram até a propriedade de Arlindo Marostica para o ato de abertura da colheita. A expectativa do IBPecan é colher até 8 mil toneladas de noz-pecã nesta safra.

A Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã foi promovida pelo IBPecan, pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo programa Pró-Pecã, iniciativa voltada ao fomento da cultura no Estado, com apoio da Emater e da Embrapa. *Artur Chagas/AgroEffective - Foto: Divulgação Seapi.

Pauta entregue ao ministro André de Paula inclui fiscalização de azeites importados, adesão ao COI, controle dos lagares e crédito agrícola - O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) entregou nesta quarta-feira (6), em Brasília (DF), ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, uma pauta com demandas para ampliar a fiscalização de azeites importados, avançar no controle da produção nacional e criar medidas de proteção à olivicultura brasileira. A audiência tratou ainda de crédito agrícola, revisão regulatória e restrição ao uso de herbicidas hormonais perto de pomares de oliveiras.

Entre os principais pontos, a entidade pediu a conclusão do laudo pericial de análise sensorial de azeites importados comercializados nos principais supermercados do país e o reforço das ações de fiscalização sobre produtos vendidos como extravirgens e que apresentam defeitos sensoriais

A carta entregue ao ministro também pede agilidade no processo de adesão do Brasil ao Comitê Oleícola Internacional (COI). Para o setor, a entrada no organismo permitiria ao país participar de programas internacionais e alinhar regras técnicas com outros países produtores, como Argentina e Uruguai.

Outro pedido foi a normatização do controle dos lagares nacionais. A proposta é que todos os estabelecimentos informem ao Ministério da Agricultura a origem das azeitonas processadas, a quantidade recebida e o volume de azeite produzido. O Ibraoliva também solicitou a indicação dos representantes do ministério no grupo de trabalho responsável pela revisão do regulamento do azeite de oliva.

Na área econômica, a entidade defendeu a redução a zero do imposto de comercialização do azeite nacional no Brasil, como forma de buscar paridade diante da concorrência com produtos europeus. O documento também solicita maior acesso dos produtores a crédito agrícola, securitização e seguro rural, após frustrações de safra em 2024 e 2025 por questões climáticas.

A proteção dos pomares contra a deriva de herbicidas hormonais também entrou na pauta. O Ibraoliva informou que está mapeando as áreas de cultivo no país e relatou casos, no Rio Grande do Sul, de pomares que deixaram de produzir após exposição a esses produtos.

O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, que esteve acompanhado pelo diretor jurídico da entidade, Jorge Buchabiqui na audiência intermediada pelo deputado federal Paulo Pimenta, avaliou o encontro de forma positiva e destacou que a reunião ocorreu em um momento de safra recorde para o azeite brasileiro. "Nossa avaliação é extremamente positiva dos resultados da reunião. A partir dessa safra recorde que temos no Brasil este ano, de azeite extravirgem de verdade, a nossa preocupação é com a concorrência desleal de azeites de refugo europeu, que são trazidos para o Brasil e vendidos nos supermercados como se extravirgens fossem", afirmou.

Segundo o dirigente, a entidade solicitou maior rigor do Ministério da Agricultura na fiscalização dos azeites importados. "Não podemos mais admitir essa fraude na rotulagem, quando o azeite virgem, às vezes até lampante, é colocado ao lado dos nossos azeites extravirgens", ressaltou.

Obino Filho também destacou como encaminhamento da audiência a sinalização do ministro sobre o avanço do processo de adesão do Brasil ao Comitê Oleícola Internacional. "A segunda grande notícia é que o ministro nos garantiu que até a semana que vem encaminha para a Casa Civil o pedido para que o Brasil faça a adesão ao Comitê Oleícola Internacional. Essa é uma última etapa. Passando pela Casa Civil, vai até o Congresso Nacional", explicou.

Para o presidente do Ibraoliva, a adesão poderá trazer ganhos para produtores e para a fiscalização. "Nós vamos ter a possibilidade de acessar os programas do Comitê Oleícola Internacional, de fomento à produção e também de preparação de painéis de cata, de painéis de análise de azeite por autoridades públicas, para que se tenha uma fiscalização mais efetiva no país", completou.

A olivicultura brasileira reúne hoje 550 produtores em mais de 200 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. A área cultivada supera 10 mil hectares, e a produção de 2026 deve chegar a aproximadamente 1 milhão de litros de azeite, volume considerado recorde histórico pelo setor. *Nestor Tipa Júnior/AgroEffective - Foto: Guilherme Martimon/MAPA/Divulgação