Os agricultores da região mais seca da América Central podem enfrentar o El Niño com uma ferramenta que cruza dados climáticos para prever o que e quando plantar, adaptando-se assim a esse fenômeno, caracterizado por períodos extremos de seca e inundações que destroem suas plantações e forçam muitos a migrar.
Conhecido como 'Zoneamento de Risco Climático Agrícola' (ZARC, na sigla em inglês), ele combina informações climáticas históricas, perfis de solo e cronogramas de cultivo para gerar mapas de risco, minimizando assim a probabilidade de sofrer perdas graves na produção agrícola e criando um calendário essencial para o plantio nessa área vulnerável.
"Esta ferramenta gera mapas de risco e municipais, bem como um calendário de plantio ideal, onde as probabilidades de perda diminuem", disse Julián Carrazón, Oficial de Agricultura da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na Mesoamérica, em entrevista à EFE.
O sistema foi desenvolvido no Brasil - O sistema foi desenvolvido no Brasil pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e adaptado para a América Central com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação para ajudar a reduzir as perdas agrícolas no Corredor Seco da América Central por meio da previsão.
O Corredor Seco da América Central é uma faixa localizada na costa do Pacífico que se estende do sul do México ao Panamá e é ambientalmente frágil devido a períodos prolongados de seca e, em contraste, chuvas intensas e inundações, tornando-se uma das áreas mais sensíveis à crise climática na região.
É o lar de cerca de 10 milhões de pessoas, afetadas pela pobreza, insegurança alimentar, migração associada aos efeitos climáticos e com uma economia dependente da agricultura de subsistência, especialmente de grãos básicos.
?Não esperamos por uma emergência, tentamos agir antecipadamente? - Existe um padrão de comportamento climático: anos de 'El Niño' intenso coincidem com as secas de verão mais severas ? um curto período seco dentro da estação chuvosa ? e com maiores perdas na produção de grãos, de acordo com registros de satélite coletados por mais de 40 anos e analisados ??pela FAO.
Quando a onda de calor é extrema, os agricultores dessa região relatam perdas de até 80% da colheita, tornando as datas de plantio cruciais. Por exemplo, segundo um artigo de Carrazón, o milho plantado em maio, que floresce em julho e agosto, considerando um ciclo de 100 dias, é o mais vulnerável.
Trata-se de um "problema complexo" que exige diversas soluções complementares, como explicou Carrazón à EFE, defendendo o zoneamento agrícola para reduzir a probabilidade de perdas nesse setor agrícola.
Portanto, existem outras ferramentas, como projetos de gestão da água e do solo por meio da captação e conservação da água da chuva, o desenvolvimento de sementes resistentes e melhores informações agroclimáticas que "construem resiliência a médio e longo prazo".
"Não esperamos por uma emergência; tentamos agir antecipadamente. Para isso, contamos com sistemas de alerta precoce e uma série de ações preventivas destinadas a auxiliar as comunidades em caso de perdas, de modo que já estejamos preparados para prestar assistência imediata", afirmou Carrazón.
América Central estará mais bem preparada para o El Niño em 2026 - Portanto, os agricultores da região mais seca da América Central estão mais bem preparados este ano, em comparação com anos anteriores, para lidar com o El Niño, graças à visão institucional tanto dos governos quanto das organizações internacionais, com o ajuste dos calendários de plantio.
"Este ano, os governos da região já estão ajustando os calendários de plantio, emitindo recomendações aos produtores para que, plantando uma ou duas semanas antes, possamos evitar essa coincidência (com a seca de pleno verão)", explicou o especialista.
As autoridades têm à sua disposição "uma série de ferramentas com toda a informação agroclimática que elas próprias geram, com contribuições fornecidas pela academia ou pelos seus institutos de investigação, e dispõem de variedades resistentes à seca que têm vindo a desenvolver nos últimos anos".
"A agricultura é uma atividade incerta e o risco sempre existirá", explicou o funcionário da FAO.
Essa ferramenta técnica de zoneamento, combinada com as soluções, ajuda a reduzir a probabilidade de perdas econômicas e agrícolas nessa área, que também é afetada pela migração climática, com milhões de pessoas deslocadas pelas flutuações climáticas. **AgroAvances/Bolívia - 20/05/ 2026 - Fonte: Informador.
Valores da maçã praticados no atacado seguem em baixa nas Ceasas monitoradas pela Conab - Preços praticados no atacado tiveram redução de 8,06%; alface voltou a apresentar recuo, com média ponderada inferior em 5,94% - Os preços da maçã seguem em queda nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) brasileiras. Na média ponderada do mês de abril, a fruta ficou 8,06% mais barata no atacado, como mostra o 5º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta sexta-feira (22). O levantamento também aponta queda de 5,94% para a média ponderada dos valores praticados para a alface, que vinham em ascensão desde novembro, e leve redução de 0,98% para a laranja, mantendo a tendência dos meses anteriores.
O aumento da oferta da maçã nas Ceasas monitoradas pela Companhia, impulsionado pelo avanço na colheita da variedade fuji, explica a dinâmica de preços, que chegaram a ficar 35% mais baratos em Goiás. Para a laranja, os menores valores foram apurados em Pernambuco (-6,79%) e no Paraná (-5,73%). Já o maior incremento no preço da fruta foi observado no estado do Rio de Janeiro (6,07%), o que não impactou a estabilidade na média do preço nos últimos meses.
O mamão e a banana apresentaram leves acréscimos na média ponderada do mês de abril. Para o mamão, o crescimento na média dos preços foi de 0,56%. A pesquisa aponta menor oferta da variedade papaya nas principais regiões produtoras do país. Para a banana, o aumento foi de 1,97%. Em termos percentuais, a movimentação positiva nos preços é inferior à do último mês. Nas praças de Minas Gerais, principal fornecedor, a oferta da variedade prata cresceu devido ao aquecimento da demanda e à melhoria no escoamento.
Entre as frutas analisadas, a melancia demonstrou maior variação percentual positiva, atingindo valores 24,36% mais altos na média ponderada, alavancada pela diminuição da oferta. Os maiores incrementos foram verificados nas Ceasas de Recife (45%) e Goiânia (44%). No estado goiano, embora os envios das regiões produtoras tenham crescido, a demanda também ficou aquecida.
Hortaliças ? Com exceção da alface, os preços das principais hortaliças comercializadas nas unidades de abastecimento das capitais brasileiras cresceram. De acordo com o Boletim, a menor disponibilidade de oferta contribuiu para esse cenário. Para a alface, a Conab identificou maiores quedas na média ponderada no Rio de Janeiro (-19,11%) e em São Paulo (-18,32%), maior produtor nacional. Já a maior elevação foi observada na central de Recife, correspondendo a 48,89%. Além da disponibilidade, a variação nos preços do vegetal está ligada às condições climáticas e à oferta local do produto. Em abril, as temperaturas mais amenas favoreceram a produtividade e a qualidade da hortaliça.
A batata e o tomate apresentaram acréscimo de 12,53% e 12,55%, respectivamente, na média ponderada dos preços. No mercado do tubérculo, que está aquecido desde fevereiro, os maiores incrementos nos valores praticados foram apurados nas Ceasas de Curitiba (25,77%) e Goiânia (25,12%). A transição de safras e a redução da oferta, especialmente para a produção proveniente do Paraná, explicam a dinâmica de valores mensurados no atacado. Para o tomate, que segue em valorização desde dezembro, os preços cotados chegaram a ficar 23,66% superiores no Ceará. No panorama geral, a menor oferta do fruto em abril tem interferência do clima e da transição da safra de verão para a de inverno.
A cebola apresentou crescimento em todas as Ceasas analisadas pela Companhia, com média ponderada equivalente a 23,03%. Apesar de se manter em alta, o percentual teve redução em comparação ao mês anterior. Conforme o levantamento da Companhia, a disponibilidade do produto no mercado deve aumentar nos próximos meses. Responsável pela maior parte do abastecimento do país, Santa Catarina registrou produção 13,1% superior em relação à última safra.
Dentre as hortaliças analisadas, a cenoura foi a que manteve a alta mais expressiva, com média ponderada 48,58% superior. O valor é inferior ao verificado no mês de março, mas ainda segue elevado em todas as Ceasas monitoradas. Destaque para Belo Horizonte, com alta de 59,62%, e Vitória, com 59,30%. A oferta da raiz tem sido impactada pela pressão da demanda sobre Minas Gerais, maior fornecedor às Ceasas.
Exportações ? O volume das exportações brasileiras cresceu 12% em comparação ao primeiro quadrimestre de 2025, com faturamento de U$S 532,3 milhões. No mês de abril, o país enviou 456 mil toneladas ao exterior, tendo como destino principal os países europeus, asiáticos e os Estados Unidos. O destaque foi para as frutas, especialmente maçã, seguida por melão, manga, melancia, abacate e banana.
Destaques ? Nesta edição do Boletim, a seção traz informações sobre a contribuição da Conab e das Ceasas para a mitigação dos efeitos da inflação nos alimentos.
As informações completas sobre preços e comercialização praticados em março nas principais Centrais de Abastecimento brasileiras estão reunidas no 5º Boletim Prohort. A análise mensal contempla os produtos com maior representatividade nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) e maior peso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). *Conab - Gerência de Imprensa - (61) 3312-6338/6344/6393/2256/6364/