A força da uva de mesa nasce no Vale do São Francisco

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27/05/2026 15:17
A força da uva de mesa nasce no Vale do São Francisco

Cooperativa de Petrolina aposta em genética, qualidade e mercado interno para fortalecer produção de uvas premium - O sertão nordestino, marcado pelo clima seco e pela escassez de chuvas, se consolidou como uma das principais regiões produtoras de uvas do Brasil. Em Petrolina, no sertão de Pernambuco, a Coopexvale (Cooperativa de Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco) reúne produtores que transformaram o Vale do São Francisco em referência nacional e internacional na produção de uvas finas de mesa. Fundada em 2004, a cooperativa nasceu voltada à exportação. No entanto, ao longo dos anos, encontrou no mercado interno uma oportunidade tão rentável quanto o comércio exterior.

Atualmente, 70% da produção da cooperativa abastece o mercado brasileiro, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Enquanto isso, os outros 30% seguem para exportação. Segundo Jailson Lira, diretor e coordenador do comitê de exportação da cooperativa, a mudança de estratégia ocorreu após a percepção de que o consumidor brasileiro passou a valorizar frutas com padrão elevado de qualidade.

?Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. A gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo?, afirmou.

Com cerca de 640 hectares cultivados em Petrolina, a Coopexvale reúne 40 cooperados e trabalha exclusivamente com uvas de mesa. São aproximadamente 12 variedades produzidas, entre uvas brancas, vermelhas e pretas. Além disso, a cooperativa é considerada a maior do segmento no Vale do São Francisco, região que possui cerca de 18 mil hectares plantados com uvas.

Além da produção, a estrutura chama atenção pela dimensão logística. A cooperativa conta com seis túneis de resfriamento, nove câmaras frias, três decks de embarque, laboratório de análise, estação de tratamento de água, posto de combustíveis e 1.452 placas solares para geração de energia. 

Genética e qualidade elevam padrão das uvas - Boa parte das variedades cultivadas pela cooperativa tem origem em programas de genética da Califórnia, nos Estados Unidos. Todos os anos, representantes da cooperativa visitam fazendas experimentais norte-americanas para acompanhar os lançamentos do setor.

Segundo Jailson, as novas variedades passam primeiro por testes de adaptação ao clima do Vale do São Francisco antes de serem introduzidas comercialmente. Dessa forma, a cooperativa consegue avaliar o desempenho das frutas na região.

?A genética que sai dos Estados Unidos imediatamente já está aqui no Vale. Produzimos frutas com a mesma qualidade da Califórnia, Itália e Espanha praticamente ao mesmo tempo?, destacou.

Além disso, a busca por sabor, crocância e padronização fez a cooperativa firmar contratos com empresas de genética a partir de 2021. O objetivo é atender um consumidor cada vez mais exigente.

Entre as marcas da cooperativa, a Gota de Mel se tornou referência no segmento premium. Nesse modelo, a seleção começa ainda no campo e, segundo a cooperativa, o mercado chega a pagar até 70% mais pelas frutas classificadas dentro desse padrão.

Além dela, a Coopexvale trabalha com as marcas Doçura do Vale, Uvas do Campo, Gotinha de Mel ? voltada ao público infantil ? e CPX, destinada ao mercado internacional. 

 

Mercado interno ganha força na cooperativa - Fundada em 2004, a Coopexvale nasceu com foco no mercado externo. Porém, ao longo dos anos, a cooperativa percebeu que o mercado brasileiro também apresentava forte potencial de crescimento.

Hoje, 70% da produção abastece o mercado interno, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Já as exportações seguem o calendário mundial da produção de uvas, concentradas principalmente nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro e novembro.

?Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. Porém, a gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo, temos um padrão de qualidade?, afirmou Jailson.

Segundo ele, a cooperativa passou a investir em marcas e critérios específicos de sabor e qualidade para enfrentar as oscilações do mercado e ampliar valor agregado.

Atualmente, a Coopexvale é reconhecida pela qualidade das frutas no mercado nacional. Além disso, a cooperativa trabalha durante as 52 semanas do ano no abastecimento interno. 

Cooperativismo amplia impacto econômico no Vale - A cooperativa começou em 2004 com 20 produtores. Desde então, ampliou a área cultivada, fortaleceu a estrutura e avançou na sucessão familiar.

Hoje, cerca de 20% dos cooperados já possuem filhos atuando diretamente no negócio. Para Jailson, o cooperativismo permite que pequenos produtores alcancem mercados antes inacessíveis.

?O cooperativismo é a oportunidade de o pequeno produtor ter o mesmo peso do grande. Somos todos iguais?, afirmou.

Ele também destacou que a cooperativa passou por dificuldades em 2010, período que exigiu reestruturação administrativa e financeira.

?É preciso ter paciência com o cooperativismo para atingir o sucesso?, disse.

Além disso, a cadeia produtiva da uva exerce forte impacto econômico e social na região. Segundo a cooperativa, um hectare de uva gera entre quatro e cinco empregos diretos.

Considerando os 18 mil hectares cultivados no Vale do São Francisco, a atividade movimenta cerca de 72 mil empregos.

Atualmente, a Coopexvale possui 110 funcionários diretos na cooperativa. Somando as fazendas dos cooperados, são aproximadamente 4 mil empregos ligados à atividade.

O faturamento da cooperativa chegou a R$ 272 milhões em 2025. Paralelamente, a entidade mantém ações sociais voltadas às comunidades locais e apoia instituições como o Hospital do Câncer.

?O Brasil é o país do agro, mas o agro não recebe a importância que deveria?, afirmou Jailson.

?Uva quer sol e água?, resumiu o diretor ao explicar a vocação do Vale do São Francisco para a fruticultura irrigada. *Matéria e fotos de PH Lopes/AgroEmCampo ? 27/05/2026.

Centro de Excelência em Fruticutlura do Senar em Juazeiro/BA - Com a ampliação da educação profissional e tecnológica e disseminação de conhecimento e inovação, por meio de cursos Técnicos de nível médio e Superior de Tecnologia, presenciais e a distância, e de cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC), o Centro contribui com o desenvolvimento da Fruticultura, que hoje tem processos produtivos com elevado nível de sofisticação e requer profissionais cada vez mais capacitados.

Pessoas de todos os estados que queiram investir numa carreira nesta cadeia produtiva vão poder estudar, gratuitamente, no Centro, localizado em Juazeiro/BA. A cidade faz parte da região do Vale do São Francisco, referência na Fruticultura nacional e internacional, por meio da exportação de frutas in natura.

Um dos cursos oferecidos é o de Técnico em Fruticultura, que forma profissionais capazes de planejar, executar e controlar os processos dessa cadeia produtiva; transferir e aplicar no campo as boas práticas de gestão, produção, inovações tecnológicas e o conhecimento adquirido, ampliando suas competências e oportunidades para atuar no mercado local, nacional e internacional.

Formação Técnica em Fruticultura - O Curso Técnico em Fruticultura é presencial e gratuito. A organização do currículo segue as orientações do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do Ministério da Educação e as diretrizes curriculares nacionais. Suas principais características são: 

Eixo Tecnológico: Recursos Naturais/Habilitação Profissional: Técnico de Nível Médio em Fruticultura; Carga horária total: 1.350 horas; Modalidade de ensino: presencial.

Itinerário Formativo do Técnico em Fruticultura do SENAR - O currículo modular permite que o estudante identifique sua trajetória formativa. Jovens e adultos podem optar pela realização do curso completo, e obter ao final a habilitação técnica, ou participar das qualificações que permitem as saídas intermediárias, com possibilidade de retorno imediato ao mercado de trabalho.

Matriz Curricular - A Matriz Curricular descreve os módulos e as unidades curriculares, assim como as respectivas cargas horárias, previstas no Curso Técnico em Fruticultura.

Equipe Experiente - O quadro de educadores do Centro de Excelência em Fruticultura é formado por especialistas, profissionais renomados, com domínio de conhecimentos teóricos e práticos, além de experiência nas atividades produtivas do campo.

Perfil do Profissional - O campo de trabalho exige a aplicação de técnicas de médio e/ou alto especialização. Assim, o profissional egresso do Curso realizará funções com considerável grau de autonomia e iniciativa, que podem abranger responsabilidades de controle de qualidade de seu trabalho ou de outros trabalhadores e/ou em coordenação de equipes de trabalho.

O profissional também terá capacidade crítica na gestão do seu trabalho e atitudes que vão colaborar na atuação em equipe para identificar e buscar soluções para situações desafiadoras.

Mercado de trabalho - O Técnico em Fruticultura poderá atuar em propriedades rurais, empresas de consultoria na produção de frutas, agroindústrias, instituições de assistência técnica, extensão rural e pesquisa, comércio de equipamentos e produtos agrícolas, cooperativas, associações rurais, entre outros.

Cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) - O Centro de Excelência em Fruticultura também oferece cursos de Formação Inicial e Continuada para qualificar jovens e adultos para atuarem no setor produtivo.  Os cursos tem duração variável, definida com base nas necessidades educativas do público de todos os níveis de escolaridade e perfil profissional demandado pelo mundo do trabalho.

Conheça os cursos: Fruticultura - Fruticultura Básica - Cultivo do Abacaxi - Cultivo da Banana (básico) - Cultivo da Banana (avançado) - Cultivo da Graviola (básico) - Cultivo da Graviola (colheita e beneficiamento) - Cultivo da Goiaba - Cultivo da Manga - Cultivo do Maracujá - Produção de Mudas e Sementes

Mecanização Agrícola: Aplicação de Agrotóxico (autopropelido) - Operação de GPS (curso básico) - Operação de GPS (curso máquinas agrícolas) - Operação de GPS (rastreabilidade do manejo agropecuário) - Operador de Roçadeira - Operador de Empilhadeira - Tratorista Agrícola (curso básico) - Tratorista Agrícola (atualização) - Tratorista Agrícola (apreçamento) - Manutenção de Motor a Diesel

Saúde e Segurança do Trabalhador: Aplicação de Agrotóxico ? NR 31 - Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos? NR 12

Manejo e Conservação do Solo: Compostagem Orgânica - Conservação de Solo

Irrigação e Drenagem: Irrigação por Aspersão - Irrigação por Microaspersão e Gotejamento

Agroindústria: Boas Práticas na Manipulação de Frutas

Administração Rural: Administração de Empresa Rural - Gestão da Empresa Agrícola - Informática Básica

Controle de Pragas: Aplicação de Agrotóxico (controle de formigas cortadeiras)

Cursos de Aprendizagem: O Centro de Excelência em Fruticultura oferta, ainda, cursos de Aprendizagem. Esses cursos tem carga horária mais longa, cerca de 800 horas, e são desenvolvidos pelo SENAR em parceria com empresas ligadas ao setor de fruticultura. Atendem diretamente a necessidade de mão de obra qualificada das empresas.

Os cursos de Aprendizagem são destinados a jovens, com idade entre 18 e 24 anos incompletos, que tenham concluído ou estejam cursando o ensino fundamental ou médio. Além da teoria no Centro de Excelência, eles vão ter oportunidade de colocar o aprendizado em prática na empresa parceira.

O Centro oferta os seguintes cursos do Catálogo Nacional de Aprendizagem:  Aprendizagem em Fruticultura - Aprendizagem em Supervisão Agrícola

Maiores informações:  (71) 99943-2564 - etec.senar.org.br senar@senar.org.br - www.cnabrasil.org.br