Capacitação em Montenegro aborda condução após poda drástica em citros e raleio da bergamotinha verde

O objetivo desse tipo de poda é redirecionar os nutrientes para os novos brotos que emergirão e que formarão uma nova copa vigorosa e de crescimento acelerado

15/01/2026 15:29
Capacitação em Montenegro aborda condução após poda drástica em citros e raleio da bergamotinha verde

Dois assuntos importantes para os citricultores ? a condução após poda drástica e o raleio da bergamotinha verde ? foram discutidos em capacitação realizada na quarta-feira (14/01), no Centro de Treinamento de Agricultores de Montenegro (Cetam). Na ocasião, extensionistas das áreas administrativas da Emater/RS-Ascar de Lajeado e Porto Alegre, acompanharam a atividade que teve o objetivo de promover um nivelamento técnico sobre os temas, fortalecendo a ação junto aos agricultores.

Como forma de ampliar a compreensão, os extensionistas Anna Xavier, Felipe Dias ? que coordena o Curso de Fruticultura do Cetam -, Pedro Veit e Fábio Encarnação forneceram uma contextualização teórica sobre os temas para, em seguida, realizar a prática. Sobre a poda drástica, Dias provocou os participantes ao questionar se é possível dar um ?reset? em um pomar. ?Afinal de contas, a poda drástica promove um grande desequilíbrio fisiológico nas plantas, já que ela remove grande parte da copa?, explica.

Atividades de poda em citros no Cetam em Montenegro/RS

A ação, muitas vezes indicada para pomares mais antigos ou voltada ao extrativismo ? aquele pomar com cara de ?abandonado? -, é não perder as plantas, sendo este um último recurso. ?Afinal, não é só ligar a motosserra e sair desbastando, já que essas árvores carecerão de uma série de cuidados posteriores?, aponta o extensionista. ?O objetivo desse tipo de poda é redirecionar os nutrientes para os novos brotos que emergirão e que formarão uma nova copa vigorosa e de crescimento acelerado?, explica Dias.

Nos pomares do Cetam, a poda drástica foi realizada cerca de quatro meses atrás, com os extensionistas fazendo justamente um mutirão para o manejo pós poda ? o que envolve retirada de galhos, o que possibilitará a condução de uma melhor arquitetura da copa, com nutrição adequada e balanço hormonal em equilíbrio. ?Nesse tipo de trabalho não há uma 'receita de bolo' pronta, é tentativa e erro e busca por aumento de incidência solar e, consequentemente, de produção?, salienta Anna Xavier.

Em relação ao raleio da bergamotinha verde, o extensionista Pedro Veit salientou a importância da prática, que visa remover o excesso de frutos em fase inicial de desenvolvimento. ?Os benefícios podem ser diversos, indo desde a redução da alternância da produção, passando pelo aumento do tamanho dos frutos e da longevidade das plantas?, garante o extensionista. ?Fora o fato de ação diminuir a quebra de galhos, reduzindo ainda os custos de colheita?, explica Fábio Encarnação, que também é supervisor na região. *Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional de Lajeado/Jornalista Tiago Bald - tbald@emater.tche.br

www.emater.tche.br/ www.facebook.com/EmaterRS/ www.youtube.com/EmaterRS/ Instagram: @EmaterRS - tv.emater.tche.br

Por que não temos bergamota o ano todo? - Saiba como funciona a safra e a entressafra da fruta no Brasil - A bergamota, também conhecida como tangerina ou mexerica em diferentes regiões do Brasil, é uma fruta tipicamente sazonal. Segundo o pesquisador Roberto Pedroso de Oliveira, da Embrapa Clima Temperado, a safra brasileira se estende de março a outubro, com picos de produção em junho e julho. Fora desse período, a oferta é escassa, impactando o consumo e os preços.

A ausência da fruta no mercado ao longo de todo o ano não é uma questão exclusivamente climática, mas também fisiológica. "Para uma planta cítrica produzir, ela precisa formar reservas energéticas, florescer, fixar os frutos e desenvolver a maturação. Esse ciclo leva de 10 a 16 meses, dependendo da variedade", explica o pesquisador.

A citricultura brasileira é sustentada por uma ampla diversidade genética, que inclui não apenas as tangerinas, mas também laranjas, limões, limas ácidas, pomelos e vários híbridos. Essa variedade permite ajustar o cultivo conforme o clima e as demandas do mercado. "No Brasil, a base da citricultura é a laranja. Já na China, por exemplo, o foco são as tangerinas e os kumquats", compara Oliveira.

Entre as principais cultivares de laranja estão a pera, valência, navelina e a caracara, de polpa vermelha. No campo das tangerinas, o destaque vai para grupos como as satsumas (Okitsu), as comuns (Ponkan, mexerica do Rio) e os híbridos (Murcote, Nadorcott, Decopom). Essa diversidade é essencial para prolongar a oferta de frutas cítricas ao longo do ano.

Variedades precoces, de meia estação e tardias ajudam a estender a oferta - O Brasil cultiva variedades de bergamota com diferentes janelas de colheita e para uma oferta mais ampla a opção é a diversificação de cultivares.

Precoces: como a Okitsu (grupo Satsuma), com colheita entre março e maio; Meia-estação: como a Ponkan, mais consumida no país, com safra entre junho e julho; Tardias: como a Murcote, colhida entre agosto e outubro, e a Montenegrina, comum no Sul.

As diferenças permitem o cultivo escalonado, dentro de uma mesma região ou propriedade. "Isso otimiza o uso da infraestrutura, distribui a demanda por mão de obra e garante renda por mais meses ao produtor", destaca Oliveira.

Pesquisa - Programas de melhoramento genético buscam cultivares ainda mais precoces ou tardias. Iniciativas no Brasil, como as conduzidas pela Embrapa e pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), utilizam hibridação controlada e seleção de mutações em campo para desenvolver novas variedades adaptadas a diferentes climas e demandas de mercado. "Estamos alinhados a centros internacionais como os dos Estados Unidos, Espanha, Itália, Austrália e Japão", afirma.

Mesmo com variedades tardias, a conservação prolongada é limitada. A perda de sabor, textura e valor nutricional é inevitável com o tempo. "A depender da variedade e das condições, a fruta pode ser conservada por 4 a 10 dias em temperatura ambiente, 1 a 3 semanas em geladeira, ou até 90 dias em câmaras frias com controle de umidade", detalha o pesquisador.

Cultivares de casca aderida, como a Murcote, têm maior durabilidade. Para extensão da vida útil, processos de lavagem, seleção, cerificação e tratamento fúngico são fundamentais.

Entressafra: impacto no mercado e soluções de importação - Durante os meses de entressafra (novembro a fevereiro), o preço da bergamota pode triplicar em relação aos meses de pico da safra. "Para suprir a demanda, o Brasil importa tangerinas da Espanha nesse período", afirma Oliveira. Em paralelo, produtores buscam ampliar o cultivo de variedades precoces e tardias para aproveitar os preços mais altos.

A localização geográfica também influencia a janela de colheita. Em regiões mais quentes, como o norte do Paraná, a colheita pode ser antecipada em até 20 dias. Já em áreas frias, como o Rio Grande do Sul, o ciclo tende a atrasar. "A Ponkan, por exemplo, é colhida com diferença de quase um mês entre os dois estados", compara o pesquisador.

Mudanças climáticas - Eventos extremos como estiagens prolongadas, geadas e enchentes estão se tornando mais frequentes e afetam todas as fases do ciclo da bergamoteira. A variabilidade climática compromete desde a floração até a maturação dos frutos. "A citricultura não está imune aos efeitos das mudanças climáticas", alerta o pesquisador.

A entressafra também pode ser oportunidade para pequenos produtores e agroindústrias. A polpa congelada permite aproveitamento integral da fruta, enquanto a casca pode ser usada na extração de óleos essenciais, com demanda nos mercados alimentício, cosmético e farmacêutico.

"A mexerica de cheiro, por exemplo, é rica em óleos essenciais valorizados no exterior. Já o bagaço pode servir de insumo para energia ou ração animal", exemplifica o pesquisador da Embrapa.

Roberto Pedroso ainda destaca que, com planejamento, investimento em variedades e tecnologias de conservação, é possível ampliar o acesso à bergamota no mercado nacional e, quem sabe, transformar o Brasil também em exportador regular da fruta nos próximos anos. *Matéria do Agrolink/Aline Merladete ? 05/12/2025.