A pitaya ou pitaia (Hylocereus sp.) (Figura 1), também conhecida como fruta do dragão é uma frutífera da família Cactaceae, originária do México, adaptada a climas quentes e sabor suavemente adocicado. Introduzida no Brasil nos anos 1990, com destaque para São Paulo, apresenta alto valor comercial e crescente interesse científico. É uma planta rústica, de pouco manejo e baixo uso de agroquímicos, sendo promissora para a agricultura familiar.
Figura 1 - Fruta de pitaia (Hylocereus sp.)
As principais variedades são a pitaia branca, vermelha e amarela. A colheita ocorre de novembro a maio, e a cultura possui potencial de expansão com o avanço das pesquisas e interesse pelo consumo.
O preço da pitaia apresenta ampla variação, podendo o quilograma ser comercializado entre R$ 14,95 e R$ 69,00, conforme levantamento realizado em fontes disponíveis na internet para a redação deste artigo técnico. A pitaia amarela apresenta maior valor comercial por ser mais rara, possuir sabor mais adocicado e apresentar menor produtividade em comparação às demais variedades.
A pitaia possui relevância mundial, com elevada demanda em mercados como Estados Unidos e Europa, o que reforça a necessidade de mais estudos sobre qualidade dos frutos e potencial nutricional para as indústrias de alimentos e farmacêutica. No Brasil, a cultura está em expansão, com aumento das áreas cultivadas e adesão de novos produtores, impulsionada pelo crescimento do mercado interno.
O IF Goiano - Campus Rio Verde tem investido no cultivo da pitaia (Figura 2), desenvolvendo pesquisas focadas na pós-colheita e no processamento, com ênfase na elaboração de produtos como sorbet e iogurte, visando à agregação de valor à fruta.
Figura 2 - Plantação de pitaia no Laboratório de Cultura de Tecidos do IF Goiano - Campus Rio Verde
A época de polinização da pitaia e o tipo de cobertura afetaram características como vitamina C, espessura da casca, porcentagem de polpa e ciclo até a colheita. Frutos polinizados em abril apresentaram ciclo mais longo, casca mais espessa e menor massa de polpa, enquanto a cobertura das plantas com tela plástica de coloração clara favoreceu o maior teor de vitamina C, associado à maior luminosidade. De modo geral, as condições climáticas, aliadas à época de polinização, tipo de cobertura e origem do pólen, exerceram influência direta na qualidade físico-química e no desenvolvimento dos frutos de pitaia (SILVA et al., 2011).
A pitaia apresenta elevado potencial funcional e nutricional, com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, metabólicas, antimicrobianas e anticancerígenas, contribuindo para a redução de riscos à saúde. Além do valor econômico, destaca-se o aproveitamento da casca, rica em betacianinas e fibras, com aplicações como corante natural e ingrediente funcional. A fruta possui amplo uso potencial nas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica e, apesar da baixa biodisponibilidade dos compostos bioativos, o emprego de sistemas de liberação nanoestruturados pode ampliar sua eficácia, reforçando seu papel na inovação tecnológica e na promoção da saúde (NISHIKITO et al., 2023).
Por fim, a pitaia vem se consolidando no Brasil em função do apelo visual, sabor e propriedades funcionais. O cultivo é realizado majoritariamente por pequenos e médios produtores, concentrando-se nas regiões Sudeste e Sul, com destaque para São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais. A produtividade média é de aproximadamente 3 ton/ha, podendo superar 40 ton/ha com o uso de cultivares superiores e boas práticas agrícolas, entretanto, persistem limitações relacionadas à adaptação varietal e ao manejo. A produção apresenta forte sazonalidade, com valorização na entressafra, sobretudo da pitaia amarela. O custo de implantação é elevado, em torno de R$ 60 mil/ha, com retorno econômico a partir do terceiro ano. As perspectivas são favoráveis, impulsionadas pela crescente demanda por alimentos saudáveis e pelo potencial de expansão do mercado in natura e agroindustrial, desde que haja integração entre pesquisa, extensão e setor produtivo.
*Marco Antônio Pereira da Silva, Lucas Loram Lourenço, Fabiano Guimarães Silva, Paula Sperotto Alberto Faria, Haihani Silva Passos, Stefany Cristiny Ferreira da Silva Gadêlha, Bruna Neves Arantes - marco.antonio@ifgoiano.edu.br
Agradecimentos: À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo n. 303505/2023-0), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), Chamada Pública FAPEG n. 21/2024 - Programa de Auxílio à Pesquisa Científica e Tecnológica - Edição 2024, Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e IF Goiano - Campus Rio Verde pelo apoio financeiro à realização da pesquisa.
Referências Bibliográficas: FALEIRO, F. G. Pitaia: a fruta que está conquistando o Brasil. In: ANUÁRIO HF 2022. [S.l.]: Hortifruti Brasil, 2022. p. 99. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1152429/1/Pitaia-fruta-conquistando-2022.pdf;. Acesso em: 20 dez. 2025. MASCARENHAS, K. Pitaia: conheça a fruta exótica, típica do verão, que tem conquistado o mercado brasileiro. 2018. Disponível em: https://www.ufla.br/dcom/2018/01/25/pitaia-conheca-a-fruta-exotica-tipica-do-verao-que-tem-conquistado-o-mercado-brasileiro/; Acesso em: 19 dez. 2025. NISHIKITO, D. F.; BORGES, A. C. A.; LAURINDO, L. F.; OTOBONI, A. M. M. B.; DIREITO, R.; GOULART, R. A.s; NICOLAU, C. C. T.; FIORINI, A. M. R.; SINATORA, R. V.; BARBALHO, S. M. Anti-inflammatory, antioxidant, and other health effects of dragon fruit and potential delivery systems for its bioactive compounds. Pharmaceutics, Basel, v. 15, n. 1, p. 159, 2023. DOI: 10.3390/pharmaceutics15010159. NUNES, E. N.; SOUSA, A. S. B.; LUCENA, C. M.; SILVA, S. M.; LUCENA, R. F. P.; ALVES, C. A. B.; ALVES, R. E. Pitaia (Hylocereus sp.): uma revisão para o Brasil. Gaia Scientia, v. 8, n. 1, p. 90-98, 2014. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1035273/1/ART15058.pdf ; Acesso em 20 dez. 2025. SILVA, A. C. C.; MARTINS, A. B. G.; CAVALLARI, L. L. Qualidade de frutos de pitaya em função da época de polinização, da fonte de pólen e da coloração da cobertura. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 33, n. 4, p. 1161-1168, 2011. DOI: 10.1590/S0100-29452011000400014.