Ciência consegue reduzir impacto de mosca nos pomares de morango
Parceria entre pesquisa e extensão rural fez as perdas na produção da fruta caírem de 60% para 5% nos últimos seis anos por meio de ações inovadoras
Uma das mais importantes pragas quarentenárias em expansão mundial na atualidade, a Drosophila suzukii ainda não possui inseticidas registrados no Brasil, mas já está sendo controlada nos pomares do Rio Grande do Sul graças a recomendações técnicas da Embrapa, repassadas aos produtores pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar). O inseto também é conhecido por suzuki, "Spotted Wing Drosophila" (SWD), ou drosófila-da-asa-manchada.
O monitoramento e controle da suzuki foram obtidos com esforços da equipe da Embrapa em parceria com a extensão rural, produtores e outras instituições. Além de estudar as ações realizadas em outros países, os pesquisadores observaram os hábitos do inseto no Brasil, buscando formas alternativas para o seu controle, como, por exemplo, a melhor posição para a instalação das armadilhas no cultivo.
"Estudamos os hábitos da suzuki na Região Sul do Brasil e conseguimos identificar os horários de maior atividade das moscas e também onde elas se escondem nos plantios", comentou o pesquisador Régis Sívori Silva dos Santos, que atua em Vacaria (RS), na Estação Experimental de Fruticultura de Clima Temperado da Embrapa Uva e Vinho e coordena as ações relacionadas à suzuki.
O pesquisador reforça que uma grande dificuldade para o controle é a facilidade de expansão desse inseto.
Casal da Drosófila suzuki, diferenciado pelo ovopositor na fêmea - Foto: Régis Sivori dos Santos
"As fêmeas depositam os ovos nas frutas próximo ao período de maturação, sem deixar danos aparentes. Dessa forma, mesmo com a postura, as frutas são colhidas, embaladas, transportadas, comercializadas, consumidas ou inutilizadas, dependendo do estágio de desenvolvimento do inseto", pontua. A visualização do inseto só acontece quando a fruta está completamente estragada, ou seja, com a larva desenvolvida, num período que varia de três a sete dias.
Perdas de até 60% - Ele explica que outros danos secundários também podem acontecer posteriormente, como doenças causadas por fungos e bactérias que entram nos frutos a partir dos danos da drosófila.
Gilmar Cantelli é um dos produtores que se beneficiou com as recomendações. Foto: Viviane Zanella
"A ação da mosca Drosophila suzukii não é fácil de detectar nos pomares, pois o inseto é minúsculo e ainda pouco conhecido no Brasil", sintetiza Santos, que complementa afirmando que desde 2008 a mosca vem causando prejuízos expressivos na América do Norte e Europa, além do Brasil, onde chegou provavelmente por meio da importação de mudas ou frutos.
Segundo levantamentos realizados pela Emater/RS-Ascar, logo na chegada da mosca aos cultivos de morangueiros, em 2014, os prejuízos foram catastróficos.
Danos ocasionados por Drosophila suzukii em morango. (A) frutos com áreas amolecidas (seta) após a oviposição; (B e C) deterioração e, posteriormente, contaminação
por microrganismos. Fotos: Felipe Andreazza
Os fruticultores perderam cerca de 60% da produção, pois não conheciam a praga. Hoje, com a adoção das práticas indicadas pela Embrapa, a praga está sendo monitorada e, quando surge, é rapidamente controlada, minimizando os prejuízos, que chegam no máximo a 5%.
"Se o produtor adota todas as recomendações, o prejuízo é mínimo", acrescenta o agrônomo Ênio Ângelo Todeschini, assistente regional em fruticultura da Emater Regional de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, um dos principais polos produtores de frutas na Região Sul. *Matéria da Revista Lavoura - 06/08/2020.
As temperaturas mais amenas favorecem seu desenvolvimento, enquanto que as temperaturas mais elevadas inibem. A espécie se reproduz o ano todo com temperaturas favoráveis completando o ciclo de ovo a adulto em aproximadamente 11 dias. Confira algumas orientações para o controle da D. suzukii, repassadas pelo pesquisador Régis Sivori Silva dos Santos/Embrapa:
Controle cultural: - É a primeira linha de defesa contra a suzukii nos agroecossistemas de frutas hospedeiras da praga. - Cultivo sob tela ou plástico (cultivo protegido) ajuda a impedir a dispersão da praga para o interior da área de cultivo. - Evitar o aparecimento de danos que gerem aberturas na casca dos frutos, seja pelo manejo correto da irrigação (evitar rachaduras), ou por cuidados no manuseio de equipamentos e tratos culturais no cultivo (danos mecânicos). - Intensificar a colheita não deixando frutos maduros nas plantas, nem caídos ao solo. - Coletar e eliminar frutos imprestáveis dos pomares. - Em caso de descarte em composteira, realizar tratamento térmico no resíduo (por congelamento ou solarização) antes do descarte.
Controle físico: - A temperatura é fator chave no desenvolvimento da praga. - Temperaturas acima de 30 0 C não há eclosão e desenvolvimento larval de D. suzukii. - Há menor incidência da praga em cultivos protegidos, onde a temperatura é mais elevada.
Controle mecânico: - Uso de 25 armadilhas por estufa, iscadas com 500 ml de atrativo a base de fermento biológico ((20g), açúcar cristal (50g) e água (1 litro) por seis dias. - O atrativo da armadilha deve ser substituído a intervalos de duas semanas, eliminando o material coletado.
Controle químico: - As aplicações de agrotóxicos são realizadas nos períodos em que a fruta hospedeira é susceptível ao ataque da suzukii (em processo de maturação) e nos períodos em que os adultos da praga estão mais ativos no pomar, ou seja, principalmente durante à noite e pela manhã, quando as temperaturas são mais amenas (em torno de 20°C). - Para o controle químico, os principais inseticidas empregados são as espinosinas e os piretróides. *Dicas de controle da Drosophila suzukii publicadas na RF - Edição 16/Junho 2018.
Acervo digital
Artigos Técnicos
Anunciantes
Eventos
Notícias do Pomar
Tecnologia
Vídeos