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Primeira reestimativa da safra de laranja 2026/27 em SP e MG prevê produção de 263,15 milhões de caixas/Fundecitrus

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Chuvas acima da média favorecem o ganho de peso dos frutos e elevam a projeção da produção, apesar do aumento da taxa de queda prematura - A primeira reestimativa da safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, divulgada pelo Fundecitrus nesta quinta-feira (10/9), indica produção de 263,15 milhões de caixas de laranja de 40,8 kg. O volume representa aumento de 7,95 milhões de caixas (3,1%) em relação à estimativa inicial, divulgada em maio. A revisão decorre do aumento da projeção do peso dos frutos das variedades precoces e de meia-estação, que mais do que compensa a elevação da taxa de queda prematura projetada para esses grupos.

Clima - De acordo com dados da Climatempo Meteorologia, a precipitação média acumulada no cinturão citrícola de maio a agosto de 2026 foi de 210 milímetros, volume 51% superior à média histórica do período (1991-2020). As chuvas de maio e agosto ficaram próximas do histórico, enquanto junho e julho registraram volumes significativamente acima da média.

Choveu acima da média histórica no período em todas as regiões do cinturão citrícola. Os maiores desvios foram registrados em Votuporanga (+172%), Triângulo Mineiro (+114%) e São José do Rio Preto (+83%). Em Brotas, Porto Ferreira, Bebedouro, Itapetininga, Duartina e Avaré, os volumes ficaram entre 66% e 40% acima da média. Limeira (+33%), Matão (+20%) e Altinópolis (+19%) apresentaram valores superiores à média, mas mais próximos do histórico.

Colheita - Assim como na temporada anterior, o ritmo de colheita está mais lento do que o habitual, mas esse comportamento é ainda mais acentuado na safra atual. Até meados de agosto, apenas 27% da produção havia sido colhida. A postergação está relacionada à elevada proporção de frutos da segunda florada e à priorização da colheita no ponto ideal de maturação. A operação ganhou intensidade somente em agosto, prolongando a permanência dos frutos nas árvores justamente durante um inverno de chuvas volumosas.

Até meados de agosto, a colheita das variedades Hamlin, Westin e Rubi havia alcançado 85%. Nas outras variedades precoces, o índice era de 65%. A colheita da Pera, de meia-estação, atingiu 16%. Entre as tardias, a colheita de Valência e Folha Murcha somava 1,2%, e a da Natal, 0,1%.

Tamanho dos frutos - A combinação entre as chuvas acima da média e a colheita mais lenta favoreceu o ganho de peso das variedades precoces e de meia-estação. Como ainda há baixo percentual colhido das variedades tardias, a projeção de peso desses grupos foi mantida. Considerando a média de todas as variedades, a estimativa passa de 255 frutos por caixa, ou 160 gramas por fruto, em maio, para 246 frutos por caixa, ou 166 gramas por fruto, nesta reestimativa.

Para Hamlin, Westin e Rubi, o número de laranjas necessárias para completar uma caixa de 40,8 kg é revisado de 289 para 268 frutos, com o peso médio passando de 141 para 152 gramas por fruto. Nas outras variedades precoces, a quantidade diminui de 251 para 243 frutos por caixa, e o peso aumenta de 163 para 168 gramas. Para a Pera, a projeção passa de 255 para 243 frutos por caixa, ou de 160 para 168 gramas por fruto. As projeções de Valência e Folha Murcha permanecem em 239 frutos por caixa, ou 171 gramas por fruto, e as da Natal, em 241 frutos por caixa, ou 169 gramas por fruto.

Queda de frutos -  A permanência mais prolongada dos frutos nas árvores, associada à alta intensidade de pragas e doenças, aumentou a queda prematura em comparação com o mesmo período de anos anteriores nas variedades precoces e de meia estação. O avanço da severidade do greening e a ocorrência de leprose e cancro cítrico acima dos patamares históricos intensificaram a queda, especialmente em agosto, quando uma parcela elevada dos frutos ainda não havia sido colhida.

Projetada inicialmente em 23,7% na estimativa de maio, a taxa média de queda é revisada para 24,1%. Em Hamlin, Westin e Rubi, o índice passa para 19,4%, acréscimo de 1,0 ponto percentual. Nas outras precoces, a taxa sobe para 21,0%, aumento de 1,0 ponto percentual; na Pera, chega a 22,4%, alta de 0,4 ponto percentual. Para Valência e Folha Murcha, a projeção permanece em 27,3%, e, para a Natal, em 30,9%. Por setor, a queda é mais intensa no Sul, Centro e Sudoeste, onde há maior incidência de greening.

A Pesquisa de Estimativa de Safra (PES) é realizada pelo Fundecitrus em parceria com o estatístico José Carlos Barbosa, professor titular aposentado da FCAV/Unesp. Essa reestimativa considera os dados disponíveis até o momento e será atualizada conforme o avanço da colheita. A próxima divulgação está prevista para 10 de dezembro. *Assessoria de Imprensa/Fundecitrus

Relatório completo em: /www.fundecitrus.com.br/wp-content/uploads/2026/09/0926_Reestimativa-da-Safra-de-Laranja.pdf

Pesquisa da UFSCar recupera compostos de valor em resíduos da laranja - Estudo usa métodos sustentáveis para extrair substâncias de interesse da indústria a partir de subprodutos do processamento da fruta - A produção industrial de suco de laranja gera diferentes tipos de resíduos ao longo do processamento da fruta. Cascas, sementes, bagaço, óleos essenciais e águas residuais compõem uma matriz agroindustrial complexa que, quando descartada de forma inadequada ou aproveitada apenas em aplicações de baixo valor, pode ampliar impactos ao meio ambiente.

Foi a partir desse cenário que pesquisadores do Departamento de Química da UFSCar (DQ) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) investigaram como a Química Verde pode contribuir para o melhor reaproveitamento dessa matriz. Publicado no periódico Foods, o estudo mostra que subprodutos da produção de suco de laranja podem ser fontes de compostos bioativos de alto valor agregado, quando analisados e recuperados por métodos mais eficientes e sustentáveis.

A pesquisa foi liderada por Antonio Gilberto Ferreira e Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva, docentes do DQ-UFSCar, em colaboração com Vânia G. Zuin Zeidler, docente do Institute of Sustainable Chemistry, em Lüneburg, na Alemanha. Os cientistas rastrearam e identificaram, em diferentes etapas do processamento industrial na produção do suco de laranja, diferentes compostos, como a hesperidina, um flavonoide associado a propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e outras atividades biológicas de interesse. 

Embora estes compostos sejam considerados pela indústria como compostos de elevado valor agregado, sua presença também impõe desafios tecnológicos, pois pode provocar a obstrução de equipamentos e tubulações das linhas de processamento industrial do suco na separação dos óleos essenciais, além de ocasionar contaminações indesejadas nas características dos descartes finais.

Pesquisa de resíduos dos citros da UFCar - julho 2026

Por isso, recuperar essas substâncias no processo de produção do suco pode transformar um problema operacional em uma oportunidade econômica. De acordo com uma referência do estudo, o mercado global de hesperidina foi avaliado, em aproximadamente US$ 81 milhões em 2019, com projeções indicando crescimento para US$ 125,2 milhões até 2026.

O processo de recuperação envolve múltiplas etapas, nas quais são obtidas diferentes concentrações das substâncias de interesse. Nesse contexto, a otimização das técnicas de extração, purificação e caracterização é fundamental para viabilizar o aproveitamento de resíduos agroindustriais, promovendo iniciativas alinhadas aos princípios da sustentabilidade e da economia circular.

"Embora a indústria citrícola gere um grande volume de resíduos, parte significativa desses subprodutos ainda é pouco explorada em relação ao seu potencial químico", explica Gilberto Ferreira. 

O diferencial da pesquisa está justamente em combinar essa investigação com métodos de extração mais sustentáveis, mostrando que a valorização dos resíduos também depende de processos capazes de reduzir impactos ambientais.

Alternativas aos processos de extração tradicionais - Um dos desafios da pesquisa foi analisar a complexidade química dos resíduos gerados em diferentes etapas do processamento industrial da laranja. As amostras avaliadas reuniam substâncias de naturezas distintas, o que exigiu métodos capazes de oferecer precisão sem tornar o processo excessivamente longo, agressivo ou dependente de muitas etapas de preparo. Por isso, o estudo combinou técnicas analíticas eficientes e estratégias de extração alinhadas aos princípios da Química Verde, que possibilita uma aplicação frente a processos industriais tornando-o mais sustentável.

Entre as técnicas utilizadas, a ressonância magnética nuclear (RMN) teve papel central por permitir a análise de misturas complexas com preparo mínimo das amostras e sem destruí-las. Associada à cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) e à cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM), a técnica de RMN permitiu monitorar compostos como a hesperidina, e os terpenos D-limoneno e valenceno ao longo da cadeia produtiva e indicar frações com maior potencial de reaproveitamento.

A pesquisa também incorporou a extração assistida por micro-ondas, estratégia considerada mais eficiente e ambientalmente mais adequada para recuperar compostos bioativos. O método reduz etapas do processo e contribui para uma abordagem mais sustentável na obtenção de moléculas de interesse a partir da biomassa residual cítrica.

O valor nos resíduos da laranja - Os resultados do estudo mostram que os resíduos cítricos não têm composição uniforme ao longo do processamento industrial. Cada etapa concentra diferentes moléculas de interesse, e esse mapeamento permitiu aos pesquisadores identificarem pontos mais estratégicos para a recuperação de compostos bioativos. 

Com o uso da técnica de RMN, foi possível rastrear as substâncias de valor até mesmo no bagaço de laranja. De acordo com o grupo de cientistas, foi possível extrair hesperidina com alto grau de pureza com o método assistido por micro-ondas de forma eficiente e ambientalmente adequado.  

As análises confirmaram que a pureza da hesperidina isolada era de 87,66% por RMN e 84,30% por CLAE. A técnica de CG-MS permitiu ainda identificar outros compostos valiosos como ?-pineno, sabineno, ?-mirceno, linalol além do D-limoneno e valenceno.

O valenceno, composto da classe dos terpenos, foi um dos exemplos de substâncias destacadas em análise pela pesquisa devido ao seu interesse comercial, especialmente para os setores de cosméticos e fármacos. 

"A água amarela, resíduo líquido gerado no processamento final da produção do suco, tinha uma concentração alta de limoneno e, a partir desse resultado, foi possível diagnosticar que o fator principal que dificultava a sua fermentação, tão necessária para o tratamento dessa biomassa e para posteriormente ter seu descarte adequado, era a presença desse terpeno", explica Ferreira. 

Para os pesquisadores, esse estudo representa para a indústria de produtos cítricos melhorias nas estratégias de sustentabilidade e circularidade, solucionando impasses no descarte e mitigando impactos ambientais. Além de melhorar a recuperação de compostos de interesse e tornar o processo ambientalmente mais eficiente, a pesquisa aponta soluções para contornar problemas existentes em oportunidades econômicas. Ou seja, o resíduo que sobra do suco de laranja pode se tornar um produto de alto valor agregado.

A pesquisa recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo - Fapesp (processo 2014/50918-7, 17/25015-1 e 18/11409-0), INCT 2014: Para o controle biorracional de insetos-praga e fitopatógenos (processo 2019/10756-1 MCBML 20/07806-4 DPP) e CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (processo - 001). *Antonio Rodrigues da Silva Neto é mestre em Química (UESPI), doutor em Ciências (UFSCar) e bolsista de Pós-Doutorado de Mídia e Ciências - Jornalismo Científico/Fapesp pelo Laboratório de Produtos Naturais (LPN-UFSCar). 

*Assessoria de Imprensa/Adriana Arruda - e-mail: [email protected] - Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) - Telefone: (16) 3351-8119 - e-mail: [email protected] - www.ufscar.br

 

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