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Óleo de abacate é alternativa ao azeite

Projeto da Epamig permite aproveitamento da fruta durante todo o ano com produto diferenciado


Projeto da Epamig permite aproveitamento da fruta durante todo o ano com produto diferenciado. Os estudos indicam que o óleo de abacate extravirgem é similar ao azeite de oliva, o que deve agradar o consumidor  -  Os produtores de abacate de Minas Gerais poderão agregar valor à fruta. Projeto desenvolvido pela Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais) viabilizou a extração do óleo do abacate para fabricação de azeite, que tem características semelhantes ao de oliva.  Os equipamentos necessários são os mesmos já utilizados na fabricação do azeite de oliva, segmento que está em expansão no Sul de Minas. A alternativa é bem avaliada, já que as frutas fora do padrão ideal de consumo, que antes eram descartadas, podem ser aproveitadas para a fabricação do azeite.

De acordo com o pesquisador da Epamig, Adelson Francisco de Oliveira, o processo de extração do azeite de abacate é similar ao de oliva, exigindo pequenas regulagens nos equipamentos. A vantagem é que a extração do azeite de oliva acontece somente durante quatro meses, entre janeiro e abril, sendo que nos demais meses o equipamento fica sem utilização. A ideia é ocupar o tempo ocioso com a extração do óleo de abacate, que pode ser feito ao longo de todo o ano.

"Na maior parte do ano os equipamentos ficam sem utilização pela falta de matéria-prima. Por isso, é vantajoso elaborar o azeite de abacate nestes meses parados. O produto tem qualidade próxima ao de oliva e a expectativa é de um mercado promissor. Pela alta qualidade, o azeite de abacate pode ser consumido nas refeições e também utilizado nos compostos de azeite de oliva, que normalmente é feito com óleo de soja".

Oliveira ressalta que é possível produzir abacate ao longo de todo o ano, com o plantio de cultivares de diferentes variedades. A indicação é que os produtores da fruta avaliem a situação e, caso seja vantajoso, busquem parceria com produtores de oliveiras para o uso consorciado dos equipamentos.

"Ao manter os equipamentos em funcionamento o ano todo, é possível gerar renda e reduzir os custos de instalação. Além disso, haverá melhor aproveitamento da mão de obra".

A produção do azeite de abacate também é considerada uma opção importante para reduzir as perdas. Oliveira explica que, normalmente, os frutos que não atendem aos padrões do mercado consumidor são descartados, o que também acontece quando os preços estão em baixa e não é vantajoso colher as frutas. Toda esta produção pode ser destinada a produção o óleo. "Muitas vezes a coloração do fruto é desuniforme ou existem pequenas imperfeições na casca e, por isso, ela é descartada ainda no campo. Nossa ideia é aproveitar toda a fruta, o que evita o desperdício e garante maior renda para o produtor".

Qualidade - A introdução do óleo de abacate puro, extravirgem, no mercado é uma importante forma de agregação de valor, principalmente pelas características de qualidade próximas às do azeite de oliva. Caso ocorra aprovação dos consumidores em relação ao produto, o azeite de abacate poderá atender parte da demanda do mercado do azeite de oliva, que é amplamente importado e tem custo elevado.

Outra forma de aplicar o óleo de abacate é na fabricação de azeite composto, que normalmente é fabricado com a mistura do óleo de soja e do azeite de oliva, e tem preços mais acessíveis no mercado, atendendo a demanda da população que tem menor poder aquisitivo.

"O azeite composto tem 20% de azeite oliva e o restante de óleo de soja. Está em estudo a mescla do azeite de oliva como de abacate, o que poderá manter o padrão de qualidade do azeite final".

Outra aplicação do óleo do abacate é nas indústrias de cosméticos. O produto pode ser utilizado na fabricação de sabonetes e cremes hidratantes, por exemplo.

São Sebastião do Paraíso inicia produção - As boas expectativas para melhor aproveitamento do abacate têm atraído investimentos. Em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas Gerais, o engenheiro agrônomo e produtor de café, abacate e de gado de corte, José Carlos Gonçalves, apostou na ideia e investiu em uma planta industrial. Os ajustes estão em fase final e a expectativa é entrar em operação nos próximos 15 dias.

Com capacidade instalada de processar 48 toneladas de matéria-prima por turno de 8 horas, a fábrica é considerada importante ferramenta para aproveitar os abacates considerados inadequados para consumo de mesa. "Esse é um sonho que acalento há muitos anos. Planto abacate há 30 anos, em uma área de 300 hectares e já perdemos muitos frutos pelo preço ruim ou pelo abacate não atender às exigências do mercado consumidor. Por isso, resolvi investir. Sei que é um risco, mas, como tudo na vida, vamos batalhar para abrir mercado e aproveitar a fruta", explicou Gonçalves.

O investimento na agroindústria também foi influenciado pelo consumo crescente da fruta e dos produtos derivados no Brasil e no mundo. Segundo Gonçalves, nos Estados Unidos, de 2000 a 2014, o consumo aumentou 40%. No Brasil, de 2007 a 2012, o volume de abacate que passou pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) aumento 47%. "O abacate é um fenômeno e o consumo vem aumentando. Isto porque ficou provado cientificamente que ele é muito benéfico para a saúde humana, por reduzir o mau colesterol e aumentar o bom colesterol e ter muito antioxidante".

As expectativas de mercado são promissoras e Gonçalves já recebeu visitas de compradores interessados do Japão e da Coreia do Sul. Além de comercializar o Azeite Paraíso, o produtor tem interesse em aproveitar a polpa, após a extração do azeite, para fazer farinha. A aplicação do óleo em um alinha de cosméticos também está nos planos de Gonçalves. *Diário do Comércio/Michelle Valverde

 

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