Efeito da inclusão de murici (Byrsonima spp.) na dieta de frangos de corte
Frutos nativos do Brasil vêm ganhando destaque como fontes promissoras de compostos bioativos. O murici espécie comum nos biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia, possui altos níveis de compostos fenólicos, carotenoides
Resumo - A intensificação da avicultura de corte tem ampliado desafios relacionados ao estresse oxidativo, à saúde intestinal e à qualidade da carne, estimulando a busca por aditivos naturais que possam substituir antibióticos promotores de crescimento e antioxidantes sintéticos. Nesse contexto, frutos nativos brasileiros despontam como fontes promissoras de compostos bioativos, entre eles o murici (Byrsonima spp.), reconhecido por sua elevada concentração de polifenóis, carotenoides, vitamina C e tocoferóis, associados à expressiva atividade antioxidante. Esta revisão narrativa teve como objetivo discutir o potencial do murici como ingrediente funcional na dieta de frangos de corte, com ênfase em seus efeitos sobre o desempenho zootécnico, a saúde intestinal, o status antioxidante e a qualidade da carne. A literatura foi analisada de forma crítica, considerando estudos sobre a composição química e os mecanismos antioxidantes do murici, bem como evidências consolidadas acerca do uso de extratos vegetais e antioxidantes naturais na nutrição avícola. Os resultados indicam que os compostos bioativos do murici apresentam mecanismos compatíveis com aqueles de fitogênicos amplamente utilizados, podendo contribuir para a mitigação do estresse oxidativo, a manutenção da integridade intestinal e a melhoria da estabilidade oxidativa da carne de frango. Entretanto, a ausência de estudos experimentais específicos em frangos de corte constitui uma lacuna relevante, reforçando a necessidade de pesquisas futuras que avaliem formas de inclusão, níveis seguros de suplementação e impactos fisiológicos. O murici emerge, assim, como alternativa promissora e sustentável para a nutrição avícola.
Autores: Raphael Quintiliano Velozo de Abreu, Marco Antonio Pereira da Silva, Rodrigo Fortunato de Oliveira, Wellington Alves de Freitas. IF Goiano/Campus Rio Verde - contato/email: [email protected]
- Introdução - A avicultura de corte é um dos setores mais dinâmicos da produção animal, contribuindo significativamente para a segurança alimentar global graças à sua alta eficiência produtiva e ao rápido ciclo de produção (Mehdi et al., 2018; Banday et al., 2023). No entanto, o aumento da intensidade dos sistemas produtivos tem agravado problemas ligados ao estresse oxidativo, à saúde intestinal e à qualidade da carne. Esses fatores estão diretamente relacionados ao desempenho zootécnico e à aceitação do produto final pelo consumidor (Sugiharto, 2016; Grandhaye et al., 2020). Antibióticos promotores de crescimento foram usados de forma generalizada no passado para aumentar o desempenho e controlar patógenos entéricos em frangos de corte. No entanto, as limitações regulatórias e as crescentes preocupações com a resistência antimicrobiana resultaram na demanda por estratégias nutricionais alternativas, seguras e sustentáveis (Mehdi et al., 2018; Xu et al., 2023). Nesse contexto, extratos vegetais e ingredientes fitogênicos vêm ganhando cada vez mais destaque por suas propriedades antioxidantes, antimicrobianas, anti-inflamatórias e por sua capacidade de modular a microbiota intestinal (Hashemipour et al., 2013; Herrero-Encinas et al., 2020).
Pesquisas recentes indicam que a adição de extratos vegetais à alimentação de frangos de corte pode aprimorar a conversão alimentar, promover o equilíbrio da microbiota intestinal, diminuir a presença de microrganismos patogênicos e impactar positivamente os parâmetros sanguíneos e imunológicos (Chamorro et al., 2019; Shanmugam et al., 2022; Hayat et al., 2025). Ademais, meta-análises sugerem que esses aditivos naturais têm um potencial consistente para substituir os antibióticos promotores de crescimento, auxiliando na criação de sistemas de produção mais sustentáveis (Hayat et al., 2025).
Simultaneamente, a oxidação lipídica é um dos principais fatores que afetam a qualidade da carne de frango, pois esse tipo de carne possui um alto teor de ácidos graxos poli-insaturados, o que a torna muito propensa à degradação oxidativa (Delles et al., 2014; Contini et al., 2014). A oxidação afeta as características sensoriais, o valor nutricional e a vida útil dos produtos, o que leva à procura por antioxidantes naturais que possam substituir os compostos sintéticos, cuja utilização tem sido questionada devido a possíveis riscos à saúde (Ramalho; Jorge, 2006; Barbosa et al., 2023).
Nesse cenário, frutos nativos do Brasil vêm ganhando destaque como fontes promissoras de compostos bioativos. O murici (Byrsonima spp.), uma espécie comum nos biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia, possui altos níveis de compostos fenólicos, carotenoides, vitamina C e tocoferóis, conhecidos por sua significativa atividade antioxidante (Almeida et al., 1998; Mariutti et al., 2013; Sousa, 2013). Pesquisas indicam que extratos de murici desempenham o papel de sequestradores de radicais livres, previnem a oxidação lipídica e modulam sistemas antioxidantes enzimáticos, destacando seu potencial funcional (Sousa, 2013; Fernández et al., 2023).
Apesar de o murici já ter sido utilizado como um antioxidante natural em produtos cárneos de frango, mostrando resultados promissores na diminuição da peroxidação lipídica em comparação com antioxidantes sintéticos como o BHT (Nascimento et al., 2019; Barbosa et al., 2023), ainda há poucos estudos que investiguem sua incorporação direta na alimentação de frangos de corte. Portanto, explorar a utilização do murici como um ingrediente funcional na alimentação de aves é uma estratégia inovadora, que atende à demanda por aditivos naturais, promove a valorização da biodiversidade brasileira e contribui para a sustentabilidade dos sistemas de produção.
Logo, o objetivo deste artigo é avaliar os efeitos da inclusão de murici (Byrsonima spp.) na dieta de frangos de corte, com ênfase em seus impactos sobre o desempenho zootécnico, a saúde intestinal, o status antioxidante e a qualidade da carne, à luz das evidências científicas disponíveis sobre compostos bioativos de origem vegetal e antioxidantes naturais.
2. Metodologia - O presente estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, conduzida com o objetivo de reunir, analisar e discutir criticamente as evidências científicas disponíveis acerca do uso do murici (Byrsonima spp.) e de compostos bioativos de origem vegetal na alimentação de frangos de corte, com ênfase em seus potenciais efeitos sobre o desempenho zootécnico, a saúde intestinal, o estresse oxidativo e a qualidade da carne.
A pesquisa bibliográfica foi conduzida em bases de dados científicas nacionais e internacionais de amplo reconhecimento, como Google Scholar, SciELO, Portal de Periódicos CAPES, Scopus e Web of Science, incluindo publicações disponíveis até o ano de 2025. Além disso, foram analisadas teses, dissertações e documentos técnicos institucionais referentes a frutos nativos brasileiros, antioxidantes naturais e nutrição avícola, visando aprofundar a compreensão do assunto e situar o uso do murici no contexto científico nacional.
Empregaram-se descritores em português e inglês, combinados por meio de operadores booleanos, como "murici", "Byrsonima spp.", "Byrsonima crassifolia", "frangos de corte", "nutrição avícola", "extratos vegetais", "aditivos fitogênicos", "antioxidantes naturais", "estresse oxidativo" e "qualidade da carne", além de suas traduções correspondentes. A escolha dos estudos levou em conta a relevância do tema, a solidez da metodologia e a contribuição para entender os mecanismos de ação e os possíveis impactos dos compostos bioativos na produção de frangos de corte.
A revisão incluiu artigos científicos originais e de revisão publicados em periódicos indexados, além de teses e dissertações com reconhecida relevância acadêmica. Esses trabalhos abordavam a composição química, as propriedades antioxidantes e as aplicações do murici (Byrsonima spp.). Também foram considerados estudos que investigavam o uso de extratos vegetais, antioxidantes naturais ou aditivos fitogênicos na dieta de frangos de corte ou na qualidade da carne de frango. Foram removidos trabalhos duplicados, publicações não revisadas por pares, estudos de natureza puramente popular e aqueles sem relação direta com o tema proposto.
Os estudos selecionados foram analisados de maneira descritiva e interpretativa, levando em conta os principais resultados, abordagens metodológicas e conclusões propostas pelos autores. A disposição das informações seguiu uma estrutura temática, possibilitando a combinação dos dados sobre a composição e os mecanismos antioxidantes do murici, os efeitos de compostos vegetais na nutrição de frangos de corte e as consequências desses compostos na qualidade da carne. Essa metodologia permitiu uma avaliação crítica e contextualizada da literatura, bem como a identificação de lacunas na pesquisa e oportunidades para estudos futuros no campo.
3. Resultados e Discussões - 3.1 Murici (Byrsonima spp.) como recurso vegetal funcional: aspectos botânicos, nutricionais e tecnológicos O murici (Byrsonima spp.) é um fruto nativo do Brasil da família Malpighiaceae,
encontrado com frequência nas regiões do Cerrado, Caatinga e Amazônia, onde desempenha um papel significativo em termos ecológicos, culturais e nutricionais (Almeida et al., 1998; Araújo et al., 2017). As espécies Byrsonima crassifolia e Byrsonima verbascifolia são notáveis por sua composição química única, que abrange altos níveis de fibras dietéticas, lipídios, minerais e uma vasta variedade de compostos bioativos com potencial antioxidante (Monteiro; Pires, 2016).
Em termos nutricionais, a polpa do murici contém uma quantidade significativa de vitamina C, carotenoides, particularmente luteína e zeaxantina, tocoferóis e polifenóis, substâncias que estão diretamente ligadas à proteção das células contra danos oxidativos (Mariutti et al., 2013; Sousa, 2013). Essa composição dá ao murici propriedades semelhantes às de ingredientes funcionais, que podem funcionar tanto como fonte de nutrientes quanto como moduladores metabólicos, um aspecto que a nutrição animal moderna valoriza cada vez mais. Além disso, a variabilidade composicional observada entre diferentes regiões e espécies de Byrsonima sugere que o murici pode apresentar respostas funcionais distintas quando utilizado como ingrediente alimentar, o que reforça a necessidade de padronização e caracterização prévia em estudos aplicados à nutrição avícola (Sousa, 2013).
3.2 Compostos bioativos do murici e seus mecanismos antioxidantes: implicações fisiológicas - Os compostos fenólicos encontrados no murici, como catequinas, proantocianidinas, ácido gálico e flavonoides derivados da quercetina, possuem comprovada atividade antioxidante, exercendo diferentes mecanismos bioquímicos (Sousa, 2013; Fernández et al., 2023). Esses compostos atuam como antioxidantes primários ao neutralizar espécies reativas de oxigênio por meio da doação de elétrons ou hidrogênio, e como antioxidantes secundários ao quelar metais de transição, interrompendo reações em cadeia da peroxidação lipídica.
Em sistemas biológicos, esses mecanismos são especialmente importantes, pois o estresse oxidativo está ligado à diminuição da eficiência metabólica, inflamações subclínicas e comprometimento do sistema imunológico. Esses fatores são comumente encontrados em sistemas intensivos de produção de frangos de corte (Sugiharto, 2016).
Algumas pesquisas indicam que antioxidantes presentes na dieta podem manter a integridade das membranas celulares, diminuir danos ao DNA e potencializar a atividade de enzimas antioxidantes endógenas, como superóxido dismutase, catalase e glutationa peroxidase (Chamorro et al., 2019).
Embora os estudos com murici concentrem-se majoritariamente em modelos in vitro e em sistemas alimentares, os mecanismos descritos são compatíveis com aqueles observados para outros extratos vegetais utilizados com sucesso na nutrição de frangos de corte, reforçando o potencial fisiológico do murici como ingrediente antioxidante funcional.
3.3 Extratos vegetais na nutrição de frangos de corte: evidências consolidadas e paralelos com o murici - O uso de extratos vegetais na dieta de frangos de corte tem sido extensivamente estudado nas últimas décadas como uma opção aos antibióticos que promovem crescimento. Compostos bioativos derivados de plantas têm mostrado habilidade para regular a microbiota intestinal, diminuir inflamações e aumentar a eficiência alimentar, especialmente ao reduzir o estresse oxidativo intestinal (Hashemipour et al., 2013; Herrero-Encinas et al., 2020).
Meta-análises recentes indicam que a inclusão de extratos vegetais na dieta de frangos de corte resulta em redução significativa da conversão alimentar, aumento de bactérias benéficas e diminuição de patógenos entéricos, mesmo quando não há alterações expressivas no ganho de peso corporal (Hayat et al., 2025). Esses achados indicam que o principal benefício desses aditivos está ligado ao aumento da eficiência metabólica e à melhoria da saúde intestinal, e não ao estímulo direto do crescimento.
O perfil fitoquímico do murici mostra semelhança funcional com extratos vegetais comumente usados na avicultura, como orégano, canela e cravo-da-índia. Os efeitos positivos desses extratos estão principalmente ligados à presença de compostos fenólicos e antioxidantes (Hashemipour et al., 2013; Shanmugam et al., 2022). Assim, apesar de ainda haver poucos estudos diretos com murici em frangos de corte, existe um sólido suporte científico para supor efeitos fisiológicos parecidos.
3.4 Potenciais efeitos do murici sobre desempenho zootécnico e saúde intestinal - A integridade do trato gastrointestinal está diretamente relacionada ao desempenho zootécnico dos frangos de corte, pois inflamações intestinais, desequilíbrios na microbiota e danos oxidativos à mucosa afetam a digestão e a absorção de nutrientes (Sugiharto, 2016). Os antioxidantes dietéticos são essenciais para proteger as células epiteliais intestinais, diminuindo a permeabilidade intestinal e ajudando a preservar a morfologia das vilosidades (Herrero-Encinas et al., 2020).
Apesar de não haver estudos experimentais que avaliem diretamente a adição de murici na alimentação de frangos de corte, evidências indiretas indicam que seus compostos bioativos podem contribuir para a diminuição do estresse oxidativo intestinal, promovendo um ambiente entérico mais equilibrado. Pesquisas envolvendo outros extratos vegetais indicam que esses compostos diminuem a inflamação subclínica e aprimoram a eficiência alimentar, mesmo sem mudanças significativas no ganho de peso (Cristo et al., 2022; Hayat et al., 2025). Assim, o murici pode ser considerado um ingrediente promissor para sistemas de produção que priorizam eficiência alimentar, saúde intestinal e redução do uso de aditivos sintéticos, especialmente em contextos de produção sustentável.
3.5 Murici e qualidade da carne de frango: estabilidade oxidativa e implicações tecnológicas - Devido ao elevado teor de ácidos graxos poli-insaturados, a carne de frango é altamente propensa à oxidação lipídica, o que afeta suas características sensoriais, valor nutricional e vida útil (Delles et al., 2014). A oxidação de lipídios leva à criação de compostos secundários, como o malondialdeído, que estão ligados a sabores e cheiros desagradáveis, além de potenciais efeitos tóxicos (Contini et al., 2014).
Pesquisas voltadas à tecnologia de alimentos indicam que extratos de murici são altamente eficazes na diminuição de Substâncias Reativas ao Ácido Tiobarbitúrico (TBARS) em produtos cárneos de frango, apresentando desempenho comparável ou superior ao de antioxidantes sintéticos, como o Butil-hidroxitolueno (BHT) (Nascimento et al., 2019; Barbosa et al., 2023). Esses achados sugerem que os compostos bioativos do murici preservam sua atividade antioxidante, mesmo após processos tecnológicos, o que reforça seu potencial como ingrediente funcional.
Na perspectiva da nutrição animal, a inclusão de antioxidantes naturais na alimentação pode levar a melhorias na estabilidade oxidativa da carne ainda no animal, diminuindo a demanda por aditivos sintéticos no processo industrial. Nesse contexto, o murici possui um potencial duplo: pode funcionar tanto como um antioxidante dietético quanto como um ingrediente tecnológico natural.
3.6. Lacunas científicas, limitações e perspectivas futuras - Embora o murici possua um sólido embasamento químico e funcional, a falta de pesquisas experimentais específicas em frangos de corte constitui a principal lacuna
científica identificada (Sousa, 2013; Mariutti et al., 2013). Estudos futuros devem investigar diversas maneiras de incorporar o murici à dieta, como polpa desidratada, farinha, óleo ou extrato padronizado, além de determinar os níveis seguros de suplementação e possíveis efeitos antinutricionais. Isso é importante levando em conta a variabilidade na composição dos frutos nativos e a necessidade de padronização tecnológica (Monteiro; Pires, 2016; Fernandes et al., 2023).
Ademais, pesquisas que envolvem parâmetros imunológicos, microbiota intestinal, expressão gênica associada ao estresse oxidativo e qualidade da carne são fundamentais para fortalecer as recomendações práticas de uso, pois compostos bioativos de origem vegetal têm mostrado um impacto direto sobre esses sistemas em frangos de corte (Sugiharto, 2016; Herrero-Encinas et al., 2020; Hayat et al., 2025). A valorização de frutos nativos, como o murici, também está em sintonia com as demandas contemporâneas de sustentabilidade, economia circular e uso consciente da biodiversidade brasileira na produção animal. Isso contribui para sistemas produtivos mais resilientes e ambientalmente responsáveis (Almeida et al., 1998; Barbosa et al., 2023).
4. Considerações finais - Esta revisão narrativa demonstra que o murici (Byrsonima spp.) possui um alto potencial como recurso vegetal funcional, devido à sua composição rica em compostos bioativos, particularmente polifenóis, carotenoides, vitamina C e tocoferóis, que proporcionam uma significativa atividade antioxidante. Pesquisas químicas, tanto in vitro quanto aplicadas à tecnologia de alimentos, mostram de maneira consistente que nesses compostos podem diminuir a oxidação lipídica e funcionar como sequestradores de radicais livres. Esses mecanismos estão diretamente ligados à melhoria da saúde celular e à estabilidade oxidativa de produtos cárneos.
Apesar de o murici ainda ser pouco utilizado como ingrediente na alimentação de frangos de corte, as evidências existentes sobre extratos vegetais e antioxidantes naturais na nutrição avícola sugerem que seus compostos bioativos podem ter efeitos benéficos semelhantes, especialmente no que diz respeito à redução do estresse oxidativo, à preservação da integridade intestinal e à melhoria da qualidade da carne. Nesse contexto, o murici surge como uma opção promissora em substituição aos aditivos sintéticos, atendendo à demanda por sistemas de produção mais sustentáveis, seguros e que estejam em conformidade com as necessidades do mercado consumidor.
Entretanto, a ausência de estudos experimentais específicos em frangos de corte constitui a principal limitação identificada, reforçando a necessidade de pesquisas futuras que avaliem diferentes formas de inclusão do murici na dieta, níveis seguros de suplementação, possíveis efeitos antinutricionais e impactos sobre parâmetros zootécnicos, imunológicos e metabólicos. Adicionalmente, investigações sobre a microbiota intestinal, a expressão gênica relacionada ao estresse oxidativo e a estabilidade oxidativa da carne são fundamentais para consolidar recomendações práticas de uso. Por fim, a valorização de frutos nativos brasileiros como o murici representa não apenas uma oportunidade científica, mas também estratégica, ao contribuir para o uso racional da biodiversidade, o desenvolvimento de ingredientes funcionais inovadores e a promoção de sistemas de produção animal mais resilientes e ambientalmente responsáveis.
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