O Congresso Internacional da Banana reuniu líderes mundiais e marcou uma nova era de colaboração para a indústria bananeira
Leia também: Banana modificada aprovada no Japão e no Brasil: não escurece e reduz o desperdício de alimentos; Feibanana começa na próxima semana em São Paulo
Com uma participação internacional notável e uma agenda focada em inovação, biossegurança e sustentabilidade, o XXV Encontro Internacional da ACORBAT e o X Congresso Internacional da CORBANA reuniram cerca de 1.200 participantes de diversos países produtores de banana.
Durante três dias, produtores, exportadores, pesquisadores e fornecedores de bens e serviços analisaram os principais desafios enfrentados pela indústria global da banana, enquanto exploravam soluções para fortalecer a produtividade, a competitividade e, sobretudo, a resiliência em um ambiente cada vez mais complexo.
O evento ocorreu em Mérida e foi organizado pela Costa Rica, por meio da Corporação Nacional da Banana (CORBANA), reafirmando a liderança do país na coordenação regional e internacional de esforços para o desenvolvimento do setor bananeiro.
Danilo Bernardo Román, presidente do Conselho de Administração da CORBANA, destacou que esses espaços de diálogo entre atores-chave, afetados por problemas comuns, representam uma importante evolução na forma como o setor enfrenta seus desafios.
"Quando você vê que todos os países afetados pelo Fusarium vêm compartilhar suas experiências, as boas e as ruins, das quais todos podemos aprender, acho que isso representa uma mudança radical na forma como as coisas eram feitas: uma comunicação melhor do que antes", disse Román.
Troca de conhecimento e construção de alianças estratégicas - Expositores, palestrantes e visitantes concordaram que esse tipo de encontro internacional não só permite a atualização do conhecimento científico e técnico, como também facilita a sinergia em toda a cadeia de valor da banana.
"Estamos muito felizes em ver tantas pessoas de outros países, porque este fórum se presta a maximizar o conhecimento com fornecedores e produtores, e para nós é sempre enriquecedor gerar sinergias", disse Jean Carlo Castillo, gerente de Talentos e Cultura do Grupo Chanitos.
Do meio acadêmico, a importância de se manter alinhado com a evolução do setor foi outra mensagem fundamental durante o congresso.
"É importante estar ciente do que está acontecendo no setor, quais novas ferramentas estão disponíveis e como abordar os principais desafios por meio de novas estratégias de gestão comercial, agronômica e operacional para a cultura", disse Adrián Jiménez, gerente de Culturas Comerciais da EARTH University.
O Congresso incorporou, pela primeira vez, uma Mesa Redonda Empresarial, concebida para fomentar encontros estratégicos entre fornecedores de bens e serviços, produtores e empresários, o que possibilitou gerar novas oportunidades comerciais, cruciais num ambiente cada vez mais competitivo.
Inovação aplicada ao futuro das bananas - A inovação tecnológica desempenhou um papel significativo na agenda do Congresso, onde as discussões se concentraram em como a transformação digital está começando a redefinir a produção, a rastreabilidade e a sustentabilidade das culturas agrícolas.
Entre os temas mais inovadores destacados, estava o uso da tecnologia blockchain aplicada às cadeias agroalimentares, como ferramenta para fortalecer a transparência, a rastreabilidade das bananas desde a fazenda até o consumidor final e a criação de valor nos mercados internacionais.
Também foram analisadas aplicações de inteligência artificial e agricultura de precisão, visando aprimorar a tomada de decisões no campo, otimizar o manejo fitossanitário, monitorar a saúde do solo e antecipar riscos de produção com base na análise de dados.
Essas soluções, juntamente com o uso de drones, aplicativos móveis e sistemas digitais de avaliação da produtividade, refletem o progresso da indústria bananeira rumo a uma agricultura mais precisa e eficiente, alinhada às demandas do comércio global.
Biossegurança como prioridade para o setor - Um dos temas centrais do congresso foi o manejo fitossanitário de pragas e doenças que representam uma ameaça à produção global de banana. Nesse contexto, foram realizadas reuniões do Comando Fitossanitário, de grupos de trabalho especializados e diversas conferências, abordando desafios como a Fusarium Tropical Raça 4, a Sigatoka Negra e a Moko.
Carlos Urías Morales, Diretor Regional de Saúde Vegetal da OIRSA, enfatizou a necessidade de fortalecer as estratégias de prevenção e controle para além das propriedades rurais.
"A primeira barreira que temos contra esse problema são os portos e aeroportos. É lá que estão as medidas de segurança mais importantes", destacou Urías.
Ele também destacou a importância de uma gestão abrangente e coordenada entre o setor produtivo e os governos, o que permitiria uma resposta mais eficaz a esses riscos e sustentaria a transformação da indústria bananeira a longo prazo. *Matéria do PortalFruticola - 26/04/2026.
Banana Tropics-Non-Browning-Banana-Named-to-TIMEs-Best-Inventions-2025
Banana modificada aprovada no Japão e no Brasil: não escurece e reduz o desperdício de alimentos - A empresa britânica Tropic anunciou que sua banana geneticamente modificada, desenvolvida para evitar o escurecimento e a oxidação após ser descascada ou cortada, recebeu aprovação regulatória no Japão e no Brasil. Com essas novas autorizações, esses dois países se juntam a um total de 11 nações onde essa inovação já possui aprovações, isenções ou determinações regulatórias, incluindo os Estados Unidos, o Canadá e as Filipinas. A decisão permitirá sua importação, venda e consumo no Japão e no Brasil, bem como seu cultivo no Brasil, consolidando o avanço internacional de uma fruta que foi destacada pela revista TIME como uma das Melhores Invenções de 2025 por seu potencial para reduzir o desperdício de alimentos e contribuir para...
O anúncio, feito em um comunicado à imprensa pela Tropic em 10 de abril de 2026, marca mais um passo adiante para uma das inovações mais comentadas em edição genética aplicada a frutas frescas. Segundo a empresa, com as novas aprovações no Japão e no Brasil, ela agora possui determinações regulatórias, notificações ou isenções em onze países para seus produtos de banana, incluindo Estados Unidos, Canadá e Filipinas. Juntos, esses territórios representam mais de 70% do mercado global de produção de banana e mais de 30% do mercado global de consumo de banana.
A importância dessas autorizações é considerável. O Japão é um dos mercados importadores mais exigentes do mundo em termos de qualidade, frescor e consistência do produto, enquanto o Brasil não é apenas um grande consumidor, mas também um dos principais produtores globais de banana: segundo a Tropic, o gigante amazônico responde por aproximadamente 10% da produção mundial. Nesse contexto, a aprovação brasileira não só abre as portas para o consumo, mas também para a produção local dessa nova variedade.
Uma inovação que já havia atraído a atenção mundial - Este desenvolvimento recente segue uma tendência que atraiu atenção internacional em 2025, quando a banana da Tropic foi incluída entre as "Melhores Invenções" da revista TIME. Naquela época, a inovação foi destacada por oferecer uma solução concreta para um problema comum, porém dispendioso, na cadeia alimentar: o rápido escurecimento das frutas após serem descascadas ou cortadas.
Como explicamos neste artigo de 2025, a tecnologia funciona inativando precisamente o gene que codifica a enzima polifenol oxidase (PPO), responsável pelas reações de escurecimento que ocorrem quando o tecido da fruta entra em contato com o oxigênio. O resultado é uma banana que mantém o sabor, a textura e o aroma característicos da variedade Cavendish, mas conserva sua cor e aparência fresca por muito mais tempo. De acordo com informações divulgadas em 2025, a fruta pode manter sua aparência inalterada por pelo menos 12 horas após ser descascada.
Essa característica aparentemente simples tem implicações comerciais e logísticas significativas. Uma banana que não escurece rapidamente pode ampliar seu uso em saladas de frutas, smoothies, sobremesas, lanches escolares, serviços de alimentação e frutas prontas para consumo, sem a necessidade de aditivos ou revestimentos para retardar a oxidação. Também pode reduzir a rejeição visual no varejo e em serviços de alimentação, onde a aparência continua sendo um fator importante na rejeição do produto.
Menos desperdício alimentar e menor impacto ambiental - Um dos aspectos mais significativos dessa tecnologia é seu potencial impacto na sustentabilidade. A Tropic afirma que sua banana "que não escurece" pode reduzir o desperdício de alimentos e as emissões equivalentes de CO2 em mais de 25% em toda a cadeia de suprimentos, o que pode se traduzir em uma redução anual de mais de 9 milhões de toneladas de CO2 no mercado de exportação de bananas. Em uma declaração anterior, a empresa também estimou que mais de 60% das bananas exportadas são desperdiçadas antes de chegarem ao consumidor, o que destaca a dimensão do problema que pretende solucionar.
A lógica por trás desse benefício é clara: quando a fruta mantém uma aparência aceitável por mais tempo, as perdas diminuem nas embalagens, na distribuição, nos supermercados, nos restaurantes e nas residências. Isso significa que menos recursos investidos em sua produção e transporte, como água, fertilizantes, energia, refrigeração e combustível, são desperdiçados. Em outras palavras, reduzir o desperdício visual também pode se traduzir em uma menor pegada ambiental por quilograma efetivamente consumido.
Muito mais do que uma banana que não escurece - A banana agora aprovada no Japão e no Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla da Tropic para reformular atributos-chave de uma das culturas mais importantes do mundo. A empresa destaca que, em 2025, lançou suas primeiras variedades comerciais de banana em mais de 75 anos (em fase de propagação com os agricultores), incluindo uma variedade que não escurece e outra com uma vida verde prolongada por 12 dias adicionais, característica que permitiria aumentar a produtividade, abrir novas rotas de exportação e reduzir o desperdício durante o transporte em até 50%.
Além disso, a Tropic planeja lançar em 2027 uma variedade resistente à doença de Panamá, causada pelo Fusarium TR4, uma ameaça fitossanitária já detectada em mais de 20 países e que, segundo a empresa, representa um risco existencial para a indústria global de bananas, avaliada em US$ 25 bilhões. A empresa também está trabalhando na resistência à Sigatoka Negra, uma doença que - de acordo com seu site - obriga alguns produtores a aplicar fungicidas de 30 a 60 vezes por ano, a custos superiores a US$ 2.000 por hectare.
O desafio subjacente é significativo. A variedade Cavendish, dominante no comércio internacional, representa mais de 90% do mercado de exportação, mas é estéril e não pode ser facilmente melhorada por meio de cruzamentos tradicionais. Essa base genética restrita a torna especialmente vulnerável a doenças e eventos climáticos extremos. Portanto, a edição genética surge como uma ferramenta particularmente atraente para introduzir melhorias direcionadas em qualidade, vida útil e resistência, sem alterar as características organolépticas exigidas pelo mercado.
Um sinal de progresso regulatório para culturas editadas - Outro aspecto importante deste anúncio é que ele confirma como os produtos desenvolvidos com edição genética continuam a avançar em diferentes marcos regulatórios ao redor do mundo. No caso da Tropic, a empresa enfatiza que sua banana foi obtida por meio da edição direcionada de seu próprio genoma, sem a incorporação de genes externos, o que facilitou sua avaliação e aprovação em um número crescente de países. Essa distinção tem sido fundamental para o debate internacional sobre como regulamentar novas técnicas de melhoramento de plantas.
Para a indústria agroalimentar, esses tipos de aprovações também enviam um sinal claro: os atributos de qualidade e sustentabilidade deixaram de ser apenas uma promessa de laboratório e passaram a ganhar força nos mercados reais, com consumidores, importadores e produtores que podem colher benefícios tangíveis. Nesse sentido, o Japão e o Brasil são dois exemplos particularmente relevantes dessa validação, dada a sua importância significativa no consumo, no comércio e nos padrões de qualidade.
Relevância para o Chile e a América Latina - Embora o Chile não seja produtor de bananas devido a razões agroclimáticas, possui uma ligação direta com essa inovação como mercado consumidor. Segundo a ODEPA, em 2023, a banana foi o principal produto importado na categoria de frutas frescas, representando 68% do valor dessas importações, sendo 99,9% provenientes do Equador. Nesse contexto, uma banana com menor oxidação e melhor desempenho pós-colheita poderia se traduzir em vantagens concretas para supermercados, cafeterias, serviços de alimentação, escolas e residências, melhorando a experiência do consumidor e reduzindo o desperdício.
Para a América Latina, essa notícia é especialmente relevante, pois a região abriga diversos dos principais atores da indústria global de bananas. A aprovação no Brasil - um dos maiores produtores mundiais - demonstra que essas inovações não estão mais sendo discutidas apenas em mercados importadores, mas também em países com capacidade para cultivar e ampliar a produção. Se tecnologias como essa se expandirem, poderão criar oportunidades para diferenciação de mercado, redução de perdas pós-colheita, cadeias logísticas mais eficientes e um fornecimento de frutas frescas com menor impacto ambiental.
Além do caso específico da banana que não escurece, o progresso da Tropic ilustra algo mais profundo: a edição genética começa a mostrar aplicações concretas em culturas tropicais de enorme importância econômica e nutricional. E em uma região como a América Latina - onde grandes consumidores, grandes produtores e crescentes desafios logísticos e de saúde coexistem - esse tipo de desenvolvimento pode se tornar uma ferramenta estratégica para produzir melhor, desperdiçar menos e atender às demandas cada vez maiores das cadeias de suprimento de alimentos. *AgroAvances/Bolívia - Fonte: Chile Bio - 28/04/2026.
Leia também: Feibanana começa na próxima semana - ABAVAR anuncia programação oficial da Feibanana 2026 em Pariquera-Açu/SP no Vale do Ribeira - https://revistadafruta.com.br/eventos/abavar-anuncia-programacao-oficial-da-feibanana-2026-em-pariquera-acu-sp-no-vale-do-ribeira,465946.jhtml
Acervo digital
Artigos Técnicos
Anunciantes
Eventos
Notícias do Pomar
Tecnologia
Vídeos