Notícias do Pomar

As amoras-pretas na Colômbia são um exemplo de inovação moderna com a tecnologia CRISPR

As amoras-pretas na Colômbia, editadas com a tecnologia CRISPR, estão abrindo caminho para uma nova geração de frutas mais saborosas, resistentes e adaptáveis ​​à agricultura moderna


Graças a ferramentas como o CRISPR-Cas9, agora é possível aprimorar com precisão características-chave dessa cultura altamente nutritiva, que até recentemente era considerada difícil de adaptar em larga escala. O que antes levava décadas de melhoramento genético tradicional agora pode ser alcançado em menos tempo e com maior precisão.

Além do seu sabor adocicado característico com notas ácidas, a amora tem tudo o que precisa para ser uma supercultura: é rica em antioxidantes, fornece fibras, vitaminas A e C, e tem uma procura crescente nos mercados de produtos frescos e processados. 

No entanto, aspectos agronômicos como seu hábito de crescimento arbustivo, a presença de espinhos, sementes mais firmes e suscetibilidade a doenças limitaram sua escalabilidade e eficiência. Até agora.

O caminho das amoras-pretas editadas - CRISPR é uma ferramenta de edição genética que permite alterações muito específicas. Utilizando essa tecnologia, a Pairwise - a única empresa até o momento que conseguiu comercializar amoras-pretas com melhorias desenvolvidas por meio da edição genética - trabalhou diretamente nos genes da própria cultura.

Esses genes estão associados a características como sementes ou espinhos, sem incorporar genes de outras espécies. O resultado são amoras com melhorias específicas, concebidas para facilitar o seu consumo e manuseio, mantendo a essência da fruta que já conhecemos.

A edição genética tornou possível desenvolver e aprimorar características de plantas de forma direcionada e eficaz. Melhorar uma cultura como a amora-preta não se resume apenas ao sabor ou à aparência. Trata-se de tornar sua produção mais lucrativa, acessível e sustentável para agricultores de todos os portes.

A amora: uma cultura em crescimento científico - Nos últimos anos, a amora-preta começou a se consolidar como uma cultura de grande interesse para a pesquisa científica. Um marco fundamental nesse processo foi o sequenciamento completo de seu genoma, liderado por pesquisadores da Universidade da Flórida, um avanço que - como destaca o portal especializado ChileBio - abre novas possibilidades para uma melhor compreensão de sua biologia e para acelerar os programas de melhoramento genético. 

Ter essas informações genéticas permite uma identificação mais precisa dos genes associados a características agronômicas relevantes e o desenvolvimento de estratégias de melhoramento mais eficientes.

Ao mesmo tempo, diferentes instituições de pesquisa na América Latina e na Europa estão fortalecendo programas de melhoramento da amora-preta, apoiados por ferramentas genômicas e seleção assistida por marcadores, com o objetivo de otimizar o desempenho da cultura no campo. 

Embora muitas dessas iniciativas ainda estejam sendo desenvolvidas no meio acadêmico e não tenham chegado ao mercado, elas representam uma base científica sólida para futuras inovações. Esse cenário confirma que a amora-preta é uma cultura que passa por uma rápida expansão de pesquisa, com claro potencial para incorporar novas melhorias à medida que a ciência e a biotecnologia continuam a avançar.

Qual a diferença entre um Blackberry modificado e um convencional?

Colômbia: a terra onde florescem amoras silvestres cultivadas - Embora a Colômbia não seja tradicionalmente uma grande produtora de amoras-pretas, essa cultura vem ganhando espaço nos últimos anos. Segundo dados do Ministério da Agricultura, em 2023 foram cultivados mais de 3.800 hectares de amoras-pretas (Rubus spp.), com uma produção superior a 67.000 toneladas e uma produtividade média de 17,6 toneladas por hectare. 

Embora grande parte dessa produção seja voltada para o consumo interno, o potencial do mercado de exportação de frutas está crescendo, especialmente para países como os Estados Unidos e o Canadá.

Esse cenário, aliado a um arcabouço regulatório favorável às tecnologias agrícolas modernas, tornou a Colômbia um país estratégico para a implementação de inovações em frutas vermelhas. Jorge Venegas, Diretor de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Pairwise, explicou da seguinte forma:

"Para as amoras-pretas, analisamos as melhores condições de mercado, os marcos regulatórios, o clima e o crescimento agrícola, e embora a Colômbia não tenha uma indústria de frutas vermelhas consolidada, sabíamos que o país possui uma variedade de climas e um sistema estabelecido de exportação de produtos frescos. Hoje, vemos que as amoras-pretas crescem melhor na Colômbia do que em qualquer outro lugar do mundo."

A Pairwise escolheu a Colômbia como base para o desenvolvimento e avaliação de sua amora-preta compacta geneticamente modificada, uma decisão que marca um ponto de virada para a cultura no país e destaca o alto nível de regulamentação das tecnologias de edição genética dentro de uma estrutura regulatória moderna. O clima diversificado e a possibilidade de produção durante todo o ano permitem ciclos agrícolas otimizados e aceleram a chegada de inovações ao mercado.

Com a abertura à edição genética CRISPR na América Latina e a chegada dessas amoras geneticamente modificadas, o país não só fortalece sua competitividade em frutas não tradicionais, como também demonstra como a ciência pode abrir novas oportunidades produtivas e comerciais.

O que o futuro reserva para a tecnologia CRISPR na América Latina?

Para que os benefícios das amoras-pretas modificadas se multipliquem na América Latina - e especialmente na Colômbia - é essencial:

Promover alianças entre centros de pesquisa, empresas e agricultores para impulsionar projetos de melhoramento genético de frutos vermelhos.

Invista em formação científica e em testes locais que permitam a adaptação dessas tecnologias às condições tropicais.

Continuar a promover quadros regulamentares baseados em evidências científicas, que reconheçam a natureza da edição genética e incentivem a sua integração no setor produtivo.

As amoras geneticamente modificadas na Colômbia não são um conceito futurista. Elas representam uma resposta concreta a desafios reais de produção e uma oportunidade tangível de transformar uma cultura estratégica em benefícios econômicos, nutricionais e ambientais para toda a cadeia agroalimentar. *Fonte: CRISPR em plantas/Portal AgroAvances - 11/02/2026.

 

 

Comentários