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BRS Áurea Cultivar de pera de alta qualidade para o sul do Brasil é lançada pela Embrapa

Evento ocorre dia 14 de janeiro às 14hs no pomar Soldatelli – Vacaria/RS


A pera é uma das frutas de clima temperado mais importantes do mundo. Nos principais países produtores, com exceção da China, a produção concentra-se em um número reduzido de cultivares (Iglesias, 2016; Waite et al., 2025), algumas cultivadas há mais de 100 anos (Gottschalck et al., 2024). A ampla aceitação dessas peras tradicionais, reconhecidas por sua excelente qualidade, tem dificultado a introdução de novas cultivares nos mercados mundiais e é apontada como um dos principais entraves à conquista de novos consumidores e, consequentemente, ao aumento do consumo e da produção da fruta (Musacchi, 2024; Zhang et al., 2025).

No Brasil, a produção de pera é pequena e insuficiente para atender à demanda interna, o que leva, anualmente, à importação de grandes volumes da fruta. Diversos fatores são apontados como determinantes dessa situação, destacando-se: a indefinição e o pouco conhecimento sobre cultivares adaptadas às diferentes regiões potencialmente produtoras, a irregularidade da produção ao longo dos anos e a baixa qualidade da fruta produzida (Simonetto; Grellmann, 1999; Fioravanço, 2007; Fioravanço; Oliveira, 2014; Wrege et al., 2017).

Pesquisas realizadas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina mostraram que a maioria das cultivares de destaque internacional enfrenta dificuldades de adaptação, produtividade e qualidade nessas regiões. Esses resultados estão diretamente ligados às condições climáticas. Por isso, fora das regiões produtoras de origem, as cultivares mais indicadas para o cultivo costumam ser aquelas criadas por programas de melhoramento genético ou resultantes de seleções locais. Essas cultivares tendem a se adaptar melhor ao clima e ao solo da região, contribuindo para uma produção mais estável, consistente e de qualidade - fator essencial para garantir a sustentabilidade da atividade.

Novas cultivares também são importantes para aumentar a demanda por meio da oferta de novos tipos, formatos, cores e sabores, ampliar o período de disponibilidade da fruta nos mercados com peras mais precoces e/ou mais tardias, e, até mesmo, complementar a produção de frutas em uma determinada região, propriedade familiar ou empreendimento agrícola. Além disso, cultivares nacionais adaptadas podem contribuir significativamente para a expansão da cultura em novos polos de produção, como é o caso do Vale do Submédio São Francisco, onde a produção de pera vem se expandindo.

O Programa de Melhoramento Genético da Pereira da Embrapa Uva e Vinho iniciou em 2006, em um momento em que a cultura despertava grande interesse do setor produtivo e se percebia a necessidade de ampliar as opções de cultivares para plantio. O objetivo fundamental do programa é desenvolver cultivares adaptadas às condições brasileiras, com produtividade elevada e estável, e produtoras de frutas com qualidade superior, que possam contribuir para elevar a produção nacional, agregar valor à cadeia produtiva e reduzir a alta dependência da fruta importada (Oliveira et al., 2010).

O objetivo desse documento é apresentar a 'BRS Áurea', primeira cultivar de pera desenvolvida por esse programa. A sanidade das plantas e dos frutos em relação às principais doenças e pragas da cultura, a época de colheita e o potencial produtivo e, especialmente, a apresentação e qualidade do fruto são diferenciais para garantir a aceitação pelos produtores, comerciantes e consumidores. Esta primeira obtenção foi testada e validada com sucesso em Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, o que permite a sua recomendação para as áreas de produção de pera da região sul do Brasil.

Origem 'BRS Áurea' é oriunda do cruzamento entre as cultivares Hosui (Pyrus pyrifolia (Burm. f.) Nakai) e Abate Fetel (Pyrus communis L.), realizado em 2006, num pomar localizado em Vacaria, RS. 'Hosui' (syn. 'Housui'), o progenitor feminino, é uma cultivar de pereira japonesa que produz frutos grandes e com formato arredondado. A película é marrom, coberta com russeting e lenticelas de cor marrom-claro. A polpa é macia, crocante, de coloração branca, textura fina, com médio a alto teor de açúcar, sem aroma e muito suculenta quando madura (Faoro; Shiba, 1999). Foi lançada em 1972, originária do cruzamento entre 'Kosui' e 'Hiratsuka 1' (Saito, 2016). 'Abate Fetel' (sin. 'Abbé Fetel', 'Abbé Fétel'), o progenitor masculino, é uma cultivar de pereira europeia que produz frutos grandes e com formato predominantemente cônico-alongado. A casca é fina, lisa, de cor verde-claro a amarelo-esverdeado, parcial ou totalmente recoberta com russeting. Pode apresentar coloração avermelhada na parte exposta ao sol. A polpa é branca, fina e pouco suculenta. As características físicas, químicas e sensoriais mantêm-se durante o armazenamento refrigerado. Foi descoberta na França em 1866 e apresentada em 1876 (Dondini; Sansavini, 2012).

* João Caetano Fioravanço(1), Lucimara Rogéria Antoniolli(1), Silvio André Meirelles Alves(2), Marcos Botton(1), Luis Fernando Revers(1), Daniel Santos Grohs(3) e Paulo Ricardo Dias de Oliveira(4)

Mais informações na Circular Técnica 170: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1183068/1/CircTec-170.pdf?fbclid=IwY2xjawOyb4xleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFKMFZDd0FGMFM3VDdwQkZVc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHh062eLFI2P5kgxQqlwcxe0ORihBP_ntJapmCOqKglFVAjfZkd2fcXtgr-MD_aem_GOv6Iaige1RylfBmXJsozg

 

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