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Curso Técnico em Fruticultura participa de formação para professores da Rede Municipal de Santa Maria

Para o professor, os pomares educativos representam uma ferramenta concreta para aproximar estudantes da realidade agrícola e contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes sobre alimentação e sustentabilidade


O Curso Técnico em Fruticultura do Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) participou, no dia 30 de maio, da formação "O Agro que Ensina - Fatores Climáticos e Sanidade", promovida pela Prefeitura Municipal de Santa Maria, por meio das Secretarias de Desenvolvimento Rural e de Educação. O evento reuniu aproximadamente 120 professores da Rede Municipal de Ensino com o objetivo de fortalecer a integração entre os conteúdos escolares e as temáticas relacionadas ao meio rural, à alimentação e à sustentabilidade.
Representando o Curso Técnico em Fruticultura, o professor Gustavo Pinto ministrou a palestra "Desconstruindo a estética dos alimentos perfeitos: reconectando a próxima geração à comida de verdade", abordando os desafios de aproximar crianças e jovens da origem dos alimentos, dos agricultores e dos processos envolvidos na produção agrícola. Durante sua exposição, o docente destacou que a relação contemporânea da sociedade com a alimentação é marcada por diferentes distâncias - geográficas, cognitivas, ecológicas, culturais e até estéticas - que dificultam a compreensão sobre quem produz os alimentos e como eles chegam até a mesa das famílias. 

Ao longo da palestra, Gustavo problematizou a influência dos padrões estéticos de mercado  sobre as escolhas alimentares. Segundo ele, a percepção de que frutas e hortaliças precisam apresentar tamanho, cor, formato e aparência uniformes é resultado de uma construção social que leva consumidores a associarem beleza visual à qualidade do alimento. Nesse contexto, produtos com pequenas marcas, deformações, cicatrizes causadas por granizo ou variações naturais de cor acabam sendo rejeitados, mesmo permanecendo adequados para o consumo.
"O alimento perfeito é uma construção social. A natureza produz diversidade, enquanto o mercado produz padronização. Muitas vezes, aprendemos a escolher pela aparência e passamos a considerar defeito aquilo que é apenas uma característica natural do processo produtivo", explicou o professor.

O docente também chamou atenção para o impacto desses padrões sobre o desperdício de alimentos. Conforme apresentado durante a formação, grande parte das perdas ocorre porque alimentos fora do padrão visual são descartados ao longo da cadeia produtiva ou rejeitados pelos consumidores, apesar de manterem seu valor nutricional. "O desperdício começa quando o olhar rejeita o que a natureza produziu. Precisamos reconstruir a forma como nos relacionamos com os alimentos e compreender que nem todo alimento considerado feio está estragado", destacou.

Segundo Gustavo Pinto, a aproximação entre escola e meio rural é estratégica para promover mudanças nesse cenário. "Muitas vezes as crianças conhecem os alimentos apenas pela aparência encontrada nos supermercados. Precisamos criar oportunidades para que elas compreendam de onde vem a comida, quem a produz e quais são os desafios envolvidos na produção. Reconectar as novas gerações à comida de verdade é também aproximá-las dos agricultores, dos territórios e da própria vida rural", afirmou.
Durante o encontro, o professor apresentou ainda a proposta da Rede de Pomares Educativos, iniciativa desenvolvida pelo Curso Técnico em Fruticultura que busca implantar e fortalecer espaços de produção de frutas em escolas, transformando-os em ambientes de aprendizagem prática, educação alimentar, cidadania e integração comunitária. A proposta está alinhada às ações de educação alimentar e nutricional já desenvolvidas nas escolas e busca estimular o contato direto dos estudantes com os ciclos naturais, a biodiversidade e a produção de alimentos.

Para o professor, os pomares educativos representam uma ferramenta concreta para aproximar os estudantes da realidade agrícola e contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes sobre alimentação e sustentabilidade. "Os pomares permitem que as crianças acompanhem o desenvolvimento das plantas, compreendam os ciclos da natureza e construam uma relação mais próxima com os alimentos. Conhecer o alimento é o primeiro passo para valorizá-lo. Ao mesmo tempo, esses espaços ajudam a discutir alimentação saudável, redução do desperdício, sustentabilidade e qualidade de vida", ressaltou.
A participação na formação reforça o compromisso do Curso Técnico em Fruticultura do Colégio Politécnico da UFSM com ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à educação alimentar, à valorização da agricultura familiar, à sustentabilidade e ao fortalecimento das relações entre escola, campo e sociedade. 

*Acompanhe mais ações do Curso Técnico em Fruticultura EAD no site e nas redes sociais: Facebook | Instagram | YouTube - Fonte: https://ufsm.br/r-582-502

 

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