Tecnologia

Microorganismos podem revolucionar o controle de doenças em macieiras

A solução, apoiada por financiamento da Comissão de Pesquisa de Frutas de Árvore de Washington , já está sendo aplicada em macieiras cujos frutos se destinam à venda comercial


Os produtores de maçã podem em breve ter um aliado inesperado - e minúsculo - na luta contra as doenças das plantações: um composto derivado de microorganismos ancestrais que prosperam em ambientes extremos.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Washington (WSU) levaram esse composto antimicrobiano para testes de campo, marcando um passo fundamental rumo a uma potencial nova ferramenta para o controle de doenças e a segurança alimentar.

A solução, apoiada por financiamento da Comissão de Pesquisa de Frutas de Árvore de Washington, já está sendo aplicada em macieiras cujos frutos se destinam à venda comercial.

A pesquisadora principal, Cynthia Haseltine, disse ao Portalfruticola.com que os testes gerarão dados ao longo de duas temporadas. Os resultados são esperados dentro de 12 a 18 meses.

O projeto tem como foco validar a eficácia do composto e determinar como sua produção pode ser ampliada para uso comercial. O trabalho inclui avaliar sua estabilidade em condições de pomar, como temperatura, exposição à radiação UV e requisitos de armazenamento, bem como desenvolver uma formulação adequada para aplicação pelos produtores. 

De micróbios extremos à defesa do jardimO trabalho de Haseltine baseia-se em décadas de pesquisa sobre arqueias, microrganismos conhecidos por produzirem compostos altamente estáveis. Essa estabilidade motivou os pesquisadores a explorarem se elas poderiam ajudar a solucionar o crescente problema da resistência a antibióticos na agricultura.

O composto não é um organismo vivo, mas um derivado sintético projetado para produção em larga escala. Os pesquisadores buscam desenvolvê-lo em um formato familiar aos agricultores, semelhante a tratamentos pulverizáveis ??já existentes, como a estreptomicina, comumente usada para controlar a queima bacteriana.

"A natureza desse composto indica que serão necessárias muitas mutações para que um micróbio desenvolva resistência", explicou Haseltine. "Não acontecerá muito rapidamente. Ele tem o potencial de durar muito mais tempo em uso em campo do que um antibiótico padrão."

Ele também enfatizou que o produto provavelmente complementará, em vez de substituir, os programas atuais de controle da doença. 

Enfrentando um problema de 4 trilhões de dólaresEmbora o foco principal seja a queima bacteriana, a pesquisa foi expandida para abordar a listeria.

"A listeria representa um problema de US$ 4 bilhões anualmente somente nos Estados Unidos, o que corresponde a cerca de 1.500 casos da doença", explicou Karin Biggs, associada de licenciamento de tecnologia da WSU, ao Portalfruticola.com.

"O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estima um custo aproximado de US$ 2,5 milhões por caso", explicou ele.

O novo composto poderá ser potencialmente aplicado em ambientes pós-colheita, como embalagens, onde persistem os riscos de contaminação.

"Não se trata apenas de um problema de saúde humana, mas também de uma questão de reputação para os agricultores, porque se houver um recall do produto, eles perdem toda a colheita", observou ele. 

Rota comercial ainda em desenvolvimentoApesar dos progressos promissores, os pesquisadores apontam que o cronograma para a comercialização é incerto.

O projeto está em seus estágios iniciais, com desafios importantes como aprovação regulatória, validação e a busca pelo parceiro comercial certo.

Haseltine e Biggs concordaram que a colaboração com a indústria será essencial para colmatar a lacuna entre a investigação académica e a aplicação prática. *Matéria do PortalFruticola - 12/05/2026 - Todas as imagens são meramente ilustrativas | Leia esta história em inglês por Carla Espinoza.

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