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Safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de SP e Triângulo Mineiro/Sudoeste de Minas Gerais é estimada em 255,20 milhões de caixas

Leia também: 51ª Expocitros e 47ª Semana da Citricultura trazem programação técnica sobre inovação, sanidade e mercado


Estimativa aponta redução na produção de laranja no cinturão citrícola, sob impacto do clima irregular, avanço do greening e bienalidade - A safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste
Mineiro, principal região produtora de laranja para suco do mundo, é estimada em 255,20 milhões de caixas de 40,8 kg, segundo anúncio do Fundecitrus nesta sexta-feira (8/5). O volume representa uma redução de 12,9% em relação à safra anterior, que totalizou 292,94 milhões de caixas, e um recuo de 14,7% frente à média daúltima década.
A projeção de produção menor decorre da bienalidade (oscilação produtiva natural dos pomares entre um ano e outro), redução no número de frutos por árvore e do aumento da taxa de queda prematura, fatores que superam os efeitos positivos do maior peso dos frutos e da ampliação do número de árvores produtivas no parque citrícola.

Perfil da safra - De acordo com dados da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES), as condições climáticas e a disponibilidade de irrigação tiveram papel determinante no perfil das floradas e no desempenho da produção. A estiagem em maio de 2025 provocou estresse hídrico nas plantas, posteriormente interrompido por irrigação nas regiões com maior proporção de áreas irrigadas, o que estimulou a primeira florada; ainda assim, o pegamento de parte dos frutos foi prejudicado por temperaturas acima da média em setembro.
Já nas áreas menos irrigadas, a primeira florada foi mais limitada, impactada tanto pelas temperaturas elevadas quanto pelo baixo volume de chuvas entre julho e setembro. A partir de outubro, porém, o retorno das chuvas - mais intensas e bem distribuídas - favoreceu a emissão da segunda florada, que predominou na safra como um todo. Embora as altas temperaturas de dezembro tenham prejudicado os frutos dessa florada, seu efeito foi parcialmente atenuado pelas chuvas abundantes de dezembro a março, que contribuíram para sustentar o pegamento e o desenvolvimento dos frutos. "Esse cenário não apenas afetou o potencial produtivo, como também impactou a uniformidade e a qualidade da safra, exigindo maior atenção no manejo", afirma o gestor da PES, Guilherme Rodriguez. 
Para o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a estimativa confirma um cenário mais complexo para a citricultura, marcado por clima irregular e pressão fitossanitária. "Esta é uma safra impactada pela variabilidade climática e pela maior pressão do greening, com efeitos no pegamento, na carga e na queda de frutos. Apesar de avanços no peso médio e no nível tecnológico dos pomares, o cenário exige rigor no manejo e monitoramento contínuo. Seguiremos apoiando o setor com dados, pesquisa e orientação técnica para mitigar perdas e sustentar a produção", afirma. O último levantamento da doença realizado pelo Fundecitrus, em setembro de 2025, apontou que o greening atingiu 47,6% das laranjeiras do parque citrícola.

Frutos maiores, mas em menor quantidade - Devido à menor carga por árvore, os frutos apresentam maior peso médio, também favorecidos pelas melhores condições hídricas durante o desenvolvimento. A projeção indica laranjas com 160 gramas no ponto de colheita, acima da safra anterior.
Queda de produtividade e desafios fitossanitários - A produtividade média estimada é de 697caixas por hectare, uma retração de 13,8% em relação à safra passada. Todas as variedades analisadas apresentaram queda de rendimento. Além do menor número de frutos por árvore, a taxa de queda prematura de frutos, projetada em 23,7%, e a taxa de perda de frutos de 31,3% também contribuíram para a retração de produtividade. Entre os principais fatores de pressão estão o avanço do greening, a incidência de leprose, a previsão de um evento de El Niño no segundo semestre de 2026 e a tendência de colheita mais tardia. Adicionalmente, o aumento da taxa de queda e a inclusão da taxa de perda de frutos também é influenciada pelo aprimoramento da metodologia de medição, que passou a incorporar dados de derriça na colheita.

Metodologia mais precisa - A estimativa é baseada em método objetivo, com medições de campo, contagem e pesagem de frutos. A taxa de queda na coroa e o fator de correção são utilizados para projetar a perda total de frutos no início da safra. Ao final da safra, esses índices são substituídos pela taxa real de perda de frutos, medida diretamente no campo por meio da derriça durante a colheita. 

O levantamento envolveu 2.560 árvores, distribuídas por diferentes regiões, variedades e idades, garantindo representatividade estatística do cinturão citrícola. "A produção segue sendo monitorada pelo Fundecitrus, e a estimativa poderá ser ajustada ao longo da safra, especialmente em função da queda de frutos e do tamanho final das laranjas", afirma Rodriguez.

A PES é realizada pelo Fundecitrus em parceria com o professor titular (aposentado) da FCAV/Unesp José Carlos Barbosa.

*ASSESSORIA DE IMPRENSA REBECA COME TERRA/FUNDECITRUS - Daniele Merola ([email protected]) - Rafael de Paula ([email protected])

51ª Expocitros e 47ª Semana da Citricultura trazem programação técnica sobre inovação, sanidade e mercadoA 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura começam dia 26 de maio de 2026, às 9h, no Centro de Citricultura "Sylvio Moreira" do Instituto Agronômico (IAC), em Cordeirópolis (SP). A expectativa é atrair um público com presença crescente de jovens produtores, cooperativas, indústrias e lideranças técnicas. A inovação deve ganhar ainda mais espaço, com soluções em inteligência artificial, automação, sensoriamento e rastreabilidade.

A sustentabilidade também segue como pilar central, com discussões sobre carbono, energia renovável, conservação de recursos naturais e exigências de mercados internacionais. Mais do que uma vitrine de tecnologias, a Expocitros 2026 reforça seu papel como plataforma de antecipação de tendências e construção de estratégias para o futuro da citricultura.

"A edição de 2026 deve aprofundar debates sobre greening, inovação tecnológica, bioinsumos, sustentabilidade e gestão, refletindo exatamente o momento vivido pelo setor. Ao mesclar ciência, mercado e estratégia, a Expocitros se firma como um ponto de convergência para decisões que vão definir a competitividade da citricultura brasileira na próxima década", afirma Dirceu Mattos Jr., diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira do IAC, da APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Este ano a abertura será às 9h, ao contrário de edições anteriores, em que o evento começava no período da tarde. Com a presença de autoridades, lideranças do setor e representantes de instituições públicas e privadas, a cerimônia marca a abertura de um dos principais encontros técnicos e estratégicos da citricultura mundial. A programação inclui homenagens, premiações e reconhecimentos a profissionais e iniciativas que contribuíram para o avanço da citricultura brasileira.

Dentre as premiações, destacam-se o Prêmio Centro de Citricultura, entregue pelo Centro de Citricultura a produtores, empresas ou representantes da pesquisa que fazem a diferença para a evolução do setor; o Prêmio GCONCI Hall da Fama da Citricultura Brasileira, que este ano homenageia Walter dos Santos Soares Filho; o Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura, que reconhecerá a trajetória do pesquisador do IAC, Hamilton Humberto Ramos; além da Homenagem ao Dia do Citricultor, representado por José de Alencar Matta.

Realizada de 26 a 29 de maio, a Expocitros chega à sua 51ª edição consolidada como o principal espaço de conexão entre inovação, negócios e planejamento estratégico do setor. A 47ª Semana da Citricultura é outro evento técnico que reúne especialistas, pesquisadores e lideranças para discutir os principais desafios e oportunidades da cadeia citrícola.

A expectativa para 2026 é ampliar a presença de tecnologias, startups, soluções em bioinsumos, energia, sustentabilidade e gestão, refletindo a transformação acelerada da citricultura. A edição anterior reuniu cerca de 12 mil visitantes e 90 empresas expositoras.

Programação - A programação da Semana da Citricultura envolve painéis temáticos com os principais eixos estratégicos do setor. No dia 26, após a abertura oficial, haverá a sessão "Sustentabilidade e Inovação", abordando boas práticas na citricultura, modelos sustentáveis e o papel da pesquisa no futuro do setor.

No dia 27, os debates se concentram em tecnologias para implantação de pomares no período da manhã e em fitossanidade e proteção de plantas à tarde, com destaque para desafios como leprose, pinta preta e podridão penduclar, resistência a fungicidas e manejo de pragas.

No dia 28, a programação avança para temas ligados à gestão e eficiência produtiva, com discussões sobre mercado de fertilizantes, mudanças climáticas, citricultura irrigada e qualidade do solo. No período da tarde, o foco se volta ao HLB (greening), com abordagens sobre controle, expansão para novas regiões e estratégias tecnológicas.

No dia 29, a sessão de cenários econômicos traz a importância do suco de laranja na saúde humana, análises sobre preços, mercado, comércio internacional e impactos do acordo Mercosul-União Europeia na citricultura, além de discussões sobre insumos e competitividade do setor.

Setor vive momento estratégico e reforça papel global do Brasil - A edição de 2026 acontece em um cenário que combina desafios e oportunidades para a citricultura. Após anos de instabilidade climática, avanço do greening, leprose e aumento de custos, o setor opera com oferta ajustada e alta variação de preços, exigindo decisões cada vez mais estratégicas.

A safra brasileira de laranja 2025/2026 foi encerrada em 293 milhões de caixas. No mercado internacional, o Brasil mantém protagonismo absoluto, respondendo por cerca de 70% a 75% do suco de laranja comercializado globalmente.  *Caíque Ribeiro de Sousa - [email protected].

Esse contexto impulsiona uma transformação estrutural no setor, com maior adoção de tecnologia, uso intensivo de dados, rastreabilidade e práticas sustentáveis.

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