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Os desafios da logística de frutas no Brasil

A distância média que estimamos à movimentação de frutas no país é de 700 Km (concentrada por caminhão). Embora, algumas frutas apresentem mais de mil quilômetros na média, como melão (1.773 km) e maçã (1.276 km)


Na terça-feira (25/3), eu participei da Fruit Attraction São Paulo 2025 para falar sobre "Como otimizar custos e acelerar a entrega de frutas frescas".

Para quem é da logística, certamente, gostaria de movimentar frutas em formatos mais adequados. Por exemplo, melancia em formato cúbico, pensando em otimizar o uso do espaço do caminhão, minimizando ociosidade e diluindo custo fixo.

Quatro variáveis são importantes para a logística de frutas que devem ser bem equacionadas: custos, perdas, prazos e shelf-life para otimizar a logística de frutas.

Por exemplo, como determinar o melhor nível de refrigeração para o volume movimentado? Quanto mairo o uso de refrigeração, maior o custo. Por outro lado, menor o nível de perda. Como determinar a melhor localização de packings houses? Quanto mais próximo de grandes capitais, maior a proximidade com o mercado consumidor e menor o custo de transporte, por outro lado, maior é o custo de armazenagem (em função do custo de terreno). Algumas decisões que não são triviais de serem tomadas e que impactam as principais variáveis de gestão mencionadas.

Os desafios do segmento são: elevadas distâncias de transporte (muitas ultrapassam a distância média de mil quilômetros), falta de equipamentos de transporte que garantam um menor nível de perda (refrigeração, por exemplo), heterogeneidade de prestadores de serviços, legislação atuante na restrição de tráfego e jornada de trabalho, produtividade, sazonalidade de produção de consumo, prazos curtos, perdas elevadas etc. A distância média que estimamos para a movimentação de frutas no país é de 700 quilômetros (concentrada por caminhão). Embora, algumas frutas apresentem mais de mil quilômetros na média, como melão (1.773 km) e maçã (1.276 km).

O volume de exportação tem ampliado ao longo dos anos (aproximadamente 1 milhão de toneladas). Curiosamente, o setor de frutas é um dos mais representativos para a movimentação pelo transporte aéreo. Por volta de 7% de todo volume exportado no último ano de frutas ocorreu pelo aéreo, frente a 83% pelo marítimo. Os aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro concentram maiores volumes embarcados.

A temática de perdas na logística de frutas é uma constante há tempos na segurança alimentar. Informações do Sistema de Informações de Perdas de Pós-Colheita (SIPPOC) do ESALQ-LOG ilustram elevado nível de perdas no transporte por caminhão, envolvendo causas diversas: falta de enlonamento adequado, granelização da carga, exposição as altas temperaturas, dentre outras. Não é incomum observar perdas que superam 20% no transporte para o caso de produtos perecíveis quando movimentados em condições precárias ou não ideais.

As embalagens são fundamentais para a mitigação de perdas, embora aspectos como custos e escalabilidade da operação, especialmente em relação ao tempo e à logística reversa, precisem ser considerados.

Há uma série de soluções para a melhoria da eficiência logística, que passa pela gestão eficiente de custos, gerenciamento dos níveis de perdas e principalmente oportunidades com o redesenho da malha de localização ótima de packings-houses visando o ganho de eficiência na distribuição de frutas. A logística last-mile tem ganhado destaque recentemente, envolvendo a entrega de frutas em curtas distâncias para o consumidor.

Enquanto não temos a unitização ideal da geometria das frutas e maior resistência às perdas e temperatura por meio do melhoramento genético, dependemos cada vez mais da gestão e otimização da logística para contribuir com a minimização das perdas e entregar produtos cada vez mais competitivos para o consumidor. A universidade tem muito a contribuir com a integração com instituição privadas para o desenvolvimento de soluções em conjunto.

*Thiago Guilherme Péra/Professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP, Coordenador do Grupo ESALQ-LOG e Membro do Conselho Científico Agro sustentável (CCAS).

Sobre o CCAS - O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo (SP), com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, por sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. Não podemos deixar de lembrar que a evolução da civilização só foi possível devido à agricultura. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa, assim como a larga experiência dos agricultores, seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: Link. Acompanhe também o CCAS nas redes sociais: Facebook:Link/Instagram: Link/LinkedIn:Link

*Alfapress Comunicações/Mariana Cremasco - 19. 99781-6909 - mariana.cremasco@alfapress.com.br

Fruit Attraction: Com apoio do Governo de SP, fruticultura paulista ganha espaço no mercado internacionalDurante o evento, a Secretaria de Agricultura de SP assinou termo de cooperação técnica com a Seagri com foco na produção de frutas vermelhas

Com o objetivo de promover o crescimento internacional da fruticultura paulista, a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento de SP participou da abertura da Fruit Attraction SP 2025, a principal feira internacional de frutas e hortaliças da América Latina, nesta terça-feira (25/03), na capital paulista.

Na oportunidade, a Secretaria de Agricultura de SP assinou um termo de cooperação técnica com a Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri) com foco na produção de frutas vermelhas. A parceria abrange a formação de pessoal em áreas estratégicas, o auxílio técnico mútuo e o compartilhamento de dados, visando o desenvolvimento de projetos de agricultura familiar.

"A fruticultura agrega valor, movimenta a economia, gera empregos e preserva o meio ambiente. O Brasil tem um potencial gigantesco para não apenas liderar o processo de segurança alimentar no mundo, mas também de transição energética e de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. SP é o estado com a maior diversificação de culturas do Brasil, o que nos faz liderar a balança comercial brasileira mesmo em anos difíceis, com seca severa", destacou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai.

Vale destacar que o Estado de São Paulo é o principal produtor nacional de frutas, exportando mais de U$ 250 milhões por ano, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA - Apta), vinculado à SAA. Em 2024, a Fruticultura paulista registrou crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Apenas os produtos da citricultura somaram 50% de participação, com 112 mil toneladas exportadas. Além disso, o grupo de sucos é o segundo maior exportado na balança comercial, somando 14,2% de participação, somando US$573,74 milhões, dos quais 98,6% correspondem ao suco de laranja.

Com uma fruticultura diversificada, SP também lidera a produção de banana, com 26% do total produzido no país, e de abacate, com 40%. Outros destaques são caqui, manga, mamão, goiaba e figo. Durante a feira, a Secretaria de Agricultura, por meio de suas coordenadorias - APTA, CATI, Defesa Agropecuária - e das Câmaras Setoriais, apresenta as principais iniciativas do governo paulista para o desenvolvimento da fruticultura paulista.

Entre as iniciativas, está o Projeto Frutas Vermelhas SP, que incentiva produção de mirtilo, framboesa e amora em território paulista com ênfase na agricultura familiar, levando renda e diversificação de culturas ao campo, além de transmitir inovação e extensão aos produtores. Além disso, conta com o Projeto Cacau SP, que pretende impulsionar a cacauicultura no estado. Em 2025, foram plantados 34,3 mil pés novos, um aumento de 37,83% em relação a 2024.

Na Fruit Attraction, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) apresentou ações de certificação fitossanitária de origem que possibilitam a exportação dos produtos paulistas. O cadastro e supervisão de plantios de lima ácida tahiti tornam São Paulo o maior exportador do país, com mais de 60% da lima ácida exportada. Com a abertura dos mercados do Japão e Chile, no ano de 2025, a Defesa Agropecuária iniciou os cadastros e acompanhamento do abacate variedade Hass nas propriedades e casas de embalagem que processam este fruto. Atualmente estão cadastradas 05 propriedades e 05 casas de embalagem.

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) apresentou aos visitantes da feira, o melhoramento genético do Instituto Agronômico (IAC-Apta) com frutas tropicais e subtropicais, como uva, amora, pêssego, macadâmia, caqui, citros, banana, maracujá, abacaxi, entre outras. O Instituto Biológico (IB-Apta) levou à Fruit Attraction pesquisas em sanidade vegetal, com estudos sobre pragas e doenças que afetam fruticulturas. 

Vale lembrar que a Secretaria de Agricultura, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), conta com uma linha de crédito de R$10 milhões voltada para a Fruticultura com taxa de 3% ao ano, 84 meses de prazo e 24 meses de carência. *Guilherme Araujo dos Santos - guilherme.araujo@cdicom.com.br

 

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